PROJETO TV RAÍZES

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sexta-feira, 26 de julho de 2019

Me gritaram negra


Me gritaram Negra - Poema de Victoria Santa Cruz

Tinha sete anos apenas,
apenas sete anos,
Que sete anos!
Não chegava nem a cinco!
De repente umas vozes na rua
me gritaram Negra!
Negra! Negra! Negra! Negra! Negra! Negra! Negra!

“Por acaso sou negra?” – me disse
SIM!
“Que coisa é ser negra?”
Negra!
E eu não sabia a triste verdade que aquilo escondia.
Negra!
E me senti negra,
Negra!
Como eles diziam
Negra!
E retrocedi
Negra!
Como eles queriam
Negra!
E odiei meus cabelos e meus lábios grossos
e mirei apenada minha carne tostada
E retrocedi
Negra!
E retrocedi . . .
Negra! Negra! Negra! Negra!
Negra! Negra! Neeegra!
Negra! Negra! Negra! Negra!
Negra! Negra! Negra! Negra!

E passava o tempo,
e sempre amargurada
Continuava levando nas minhas costas
minha pesada carga
E como pesava!…

Alisei o cabelo,
Passei pó na cara,
e entre minhas entranhas sempre ressoava a mesma palavra
Negra! Negra! Negra! Negra!
Negra! Negra! Neeegra!
Até que um dia que retrocedia , retrocedia e que ia cair
Negra! Negra! Negra! Negra!
Negra! Negra! Negra! Negra!
Negra! Negra! Negra! Negra!
Negra! Negra! Negra!

E daí?
E daí?
Negra!
Sim
Negra!
Sou
Negra!
Negra
Negra!
Negra sou
Negra!
Sim
Negra!
Sou
Negra!
Negra
Negra!
Negra sou

De hoje em diante não quero
alisar meu cabelo
Não quero
E vou rir daqueles,
que por evitar – segundo eles –
que por evitar-nos algum disabor
Chamam aos negros de gente de cor
E de que cor!
NEGRA
E como soa lindo!
NEGRO
E que ritmo tem!
Negro Negro Negro Negro
Negro Negro Negro Negro
Negro Negro Negro Negro
Negro Negro Negro

Afinal
Afinal compreendi
AFINAL
Já não retrocedo
AFINAL
E avanço segura
AFINAL
Avanço e espero
AFINAL
E bendigo aos céus porque quis Deus
que negro azeviche fosse minha cor
E já compreendi
AFINAL
Já tenho a chave!
NEGRO NEGRO NEGRO NEGRO
NEGRO NEGRO NEGRO NEGRO
NEGRO NEGRO NEGRO NEGRO
NEGRO NEGRO
Negra sou!

Victoria Santa Cruz

Com uma voz forte e intensa, Victoria Eugenia Santa Cruz Gamarra declama seu poema “Gritaram-me nega” em referencia a experiência de preconceito vivida ainda criança dentro de um grupo de amigos que a expulsaram simplesmente por ser negra. 

Foi a partir deste momento que a poeta, coreógrafa, estilista e folclorista afro-peruana passou a refletir sobre a importância do sofrimento, percebendo que certas injustiças poderiam até despertar ódio. Tais experiências fizeram com que ela se reconhecesse como negra, aumentando assim sua autoestima e fazendo com que descobrisse o prazer de viver de uma forma mais equilibrada. Victoria cresceu, consciente de sua negritude. 

Nascida em La Vitoria, província de Lima, Peru, no ano de 1922, a arte e a cultura afro-peruana a rodeava. Seu pai, Nicomedes Santa Cruz Aparicio, foi um importante dramaturgo e poeta, e sua mãe, Victoria Gamarra, bailarina de marinera (dança típica do Peru que une raízes culturais indígenas, africanas e espanholas) e filha de um famoso ator. 

Aos 36 anos, Victoria cria o grupo Cumanana juntamente com seu irmão mais novo, o poeta, pesquisador e jornalista Nicomedes Santa Cruz Gamarra, um dos primeiros grupos teatrais inteiramente integrado por negros que tinha como intuito difundir as diversas vertentes da cultura afro-peruana. Deste projeto, posteriormente, foram lançados alguns discos contando um pouco da história deste povo e de suas manifestações artísticas. 

Com a possibilidade de viajar a Paris para estudar na Universidade de Teatro das Nações e Escola Superior de Estudos Coreográficos, a poeta se destaca como figurinista, trabalhando em obras como “El retablo de Don Cristóbal”, de García Lorca e em “La Rosa de Papel”, de Ramón Del Valle Inclán. 

Em seu retorno, funda a “Companhia Teatro e Danças Negras do Peru” fazendo apresentações nos melhores teatros e na televisão, chegando inclusive a representar seu país nos Jogos Olímpicos do México em 1968 com grande êxito e premiada por seu trabalho. 

Victoria sempre se mostrou engajada em construir sua identidade negra utilizando o próprio corpo como suporte de resistência e afirmação, assim como também esteve envolvida na busca da valorização das tradições musicais e culturais negras no Peru. Em consequência de seu engajamento, a artista recebe, em 1970, o prêmio de melhor folclorista no primeiro Festival e Seminário Latino-americano de TV, organizado pela Universidade Católica do Chile. 

Posteriormente, ela correu o mundo com sua companhia, especialmente nos tempos em que era diretora do Conjunto Nacional de Folclore do Instituto Nacional da Cultura. Victoria chegou a fazer turnês pelos Estados Unidos, El Salvador, França, Bélgica, Suíça, entre outros países. 

Victoria Santa Cruz foi uma das poucas mulheres latino-americanas e negras a lecionar na requisitada Universidade Carnegie Mellon, Pensilvânia, nos Estados Unidos, entrando, à principio como professora convidada, mas anos depois alcança o cargo de professora vitalícia. 

Em 2014, após muita dedicação ao estudo e à preservação da tradição afro-peruana, a artista veio a falecer aos 91 anos por conta de uma debilidade em sua saúde, mas deixou um legado forte e importantíssimo, sendo considerada como porta-voz de muitas mulheres negras que enfrentam a cada dia a ditadura do ideal de beleza branco. 

Victoria deixa sua mensagem de que é preciso resistir e reagir contra o que vem de forma negativa, transforma-lo em afirmação, fortalecendo assim o ser como sujeito numa maior compreensão de si mesmo. É o renascer, é se esclarecer como negra pertencente a este mundo. 

quinta-feira, 25 de julho de 2019

HEROÍNAS NEGRAS DO BRASIL - CONHEÇA A HISTÓRIA
















25 de julho: Dia Nacional de Tereza de Benguela, a líder do Quilombo de Quariterê


Dia 25 de julho é data para celebrar o Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra. 

“Rainha Tereza”, como ficou conhecida em seu tempo, viveu na década de XVIII no Vale do Guaporé, no Mato Grosso. Ela liderou o Quilombo de Quariterê após a morte de seu companheiro, José Piolho, morto por soldados. 

Segundo documentos da época, o lugar abrigava mais de 100 pessoas, com aproximadamente 79 negros e 30 índios. O quilombo resistiu da década de 1730 ao final do século. Tereza foi morta após ser capturada por soldados em 1770 – alguns dizem que a causa foi suicídio; outros, execução ou doença.

Sua liderança se destacou com a criação de uma espécie de Parlamento e de um sistema de defesa. Ali, era cultivado o algodão, que servia posteriormente para a produção de tecidos. Havia também plantações de milho, feijão, mandioca, banana, entre outros.

“Governava esse quilombo a modo de parlamento, tendo para o conselho uma casa destinada, para a qual, em dias assinalados de todas as semanas, entravam os deputados, sendo o de maior autoridade, tido por conselheiro, José Piolho, escravo da herança do defunto Antônio Pacheco de Morais. Isso faziam, tanto que eram chamados pela rainha, que era a que presidia e que naquele negral Senado se assentava, e se executavam à risca, sem apelação nem agravo”
(Anal de Vila Bela do ano de 1770)

Após ser capturada em 1770, o documento afirma: “em poucos dias expirou de pasmo. Morta ela, se lhe cortou a cabeça e se pôs no meio da praça daquele quilombo, em um alto poste, onde ficou para memória e exemplo dos que a vissem”. Alguns quilombolas conseguiram fugir ao ataque e o reconstruíram – mesmo assim, em 1777 foi novamente atacado pelo exército, sendo finalmente extinto em 1795.

A dataA Lei nº 12.987/2014, foi sancionado pela presidenta Dilma Rousseff, como o Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra. Tereza de Benguela foi uma líder quilombola, viveu durante o século 18. Com a morte do companheiro, Tereza se tornou a rainha do quilombo, e, sob sua liderança, a comunidade negra e indígena resistiu à escravidão por duas décadas, sobrevivendo até 1770, quando o quilombo foi destruído pelas forças de Luiz Pinto de Souza Coutinho e a população (79 negros e 30 índios), morta ou aprisionada.

A história da “Rainha” foi relembrada em 1994 pela escola de samba Unidos da Viradouro no samba-enredo “Tereza de Benguela, uma rainha negra no Pantanal”.

Homenageadas – Assim como Tereza, outras mulheres foram e são importantes para a nossa história. Com trabalhos impecáveis e perseverança, elas deixaram um legado, que cabe a nós reverenciarmos e visibilizarmos a emancipação das mulheres negras, como forma de homenagear; Antonieta de Barros, Aqualtune, Theodosina Rosário Ribeiro, Benedita da Silva, Jurema Batista, Leci Brandão, Chiquinha Gonzaga, Ruth de Souza, Elisa Lucinda, Conceição Evaristo, Maria Filipa, Maria Conceição Nazaré (Mãe Menininha de Gantois), Luiza Mahin, Lélia Gonzalez, Dandara, Carolina Maria de Jesus, Elza Soares, Mãe Stella de Oxóssi, entre tantas outras.

Injustiças centenárias

No Brasil, a mulher negra encontra-se em uma das posições mais vulneráveis da nossa sociedade quando analisados fatores como, por exemplo, taxa de homicídios, inclusão no mercado de trabalho, disparidade salarial, condições de trabalho e desemprego.

De acordo com o estudo Atlas da Violência 2018, realizado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), a taxa de homicídios de mulheres negras ficou em 5,3 a cada 100 mil habitantes. Entre mulheres não negras, esse índice cai para 3,1 a cada 100 mil habitantes, uma diferença de 71%.

Outros dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) revelam que mulheres negras estão 50% mais suscetíveis ao desemprego do que outros grupos. Segundo o Ipea, enquanto o desemprego entre mulheres negras subiu 80% em relação ao período anterior à crise econômica, entre homens brancos o aumento foi de 4,6 pontos percentuais - entre homens negros, houve crescimento de 7 pontos percentuais.

Números do IBGE apontam que ser mulher negra no Brasil significa sofrer com uma intensa desigualdade, como no campo profissional por exemplo. 71% das mulheres negras estão em ocupações precárias e informais, contra 54% das mulheres brancas e 48% dos homens brancos. O salário médio da trabalhadora negra continua sendo a metade do salário da trabalhadora branca. Mesmo quando sua escolaridade é similar à escolaridade de uma mulher branca, a diferença salarial gira em trono de 40% a mais para esta.

Esse quadro de desigualdade é evidenciado mesmo quando a graduação no ensino superior é considerada. De acordo com a pesquisa “O Desafio da Inclusão”, do Instituto Locomotiva, divulgada em 2017, o salário de uma mulher negra com o ensino superior completo é, em média, R$ 2,9 mil. Dentro desse mesmo cenário, o de uma mulher branca é R$ 3,8 mil; o de um homem negro, R$ 4,8 mil; e o de um homem branco, R$ 6,7 mil.

Fontes da pesquisa

CRUZ, Tereza Almeida. Um estudo comparado das relações ambientais de mulheres da floresta do Vale do Guaporé (Brasil) e do Mayombe (Angola) – 1980 – 2010. 2012. 367 f. Tese (Doutorado em História) – Curso de Pós-Graduação em História, Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2012.

FARIAS JÚNIOR, Emmanuel de Almeida. Negros do Guaporé: o sistema escravista e as territorialidades específicas. Revista do Centro de Estudos Rurais – UNICAMP, v.5, nº2, setembro de 2011. Disponível em . Acesso em 25 de julho de 2014.

25 de julho: Dia da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha


O dia 25 de julho é (desde o ano de 1992) chamado de DIA INTERNACIONAL DA MULHER NEGRA - LATINOAMERICANA E CARIBENHA.

A data teve origem em 1992, quando foi realizado o primeiro Encontro de Mulheres Negras Latinas e Caribenhas, em Santo Domingos, na República Dominicana, em que discutiram sobre machismo, racismo e formas de combatê-los. Daí surgiu uma rede de mulheres que permanece unida até hoje. Do encontro, nasceu também o Dia da Mulher Negra Latina e Caribenha, lembrado todo 25 de julho, data que foi reconhecida pela ONU ainda em 1992.

Um pouco da realidade da mulher negra no Brasil e na América Latina e Caribe

A população negra corresponde a mais da metade dos brasileiros: 54%, segundo o IBGE. Na América Latina e no Caribe, 200 milhões de pessoas se identificam como afrodescendentes, de acordo com a Associação Mujeres Afro. Tanto no Brasil quanto fora dele, porém, essa população também é a que mais sofre com a pobreza: por aqui, entre os mais pobres, três em cada quatro são pessoas negras, segundo o IBGE.

Quando se trata nas mulheres negras da região, a situação é ainda mais alarmante. De acordo com dados da Organização das Nações Unidas (ONU), dos 25 países com os maiores índices de feminicídio do mundo, 15 ficam na América Latina e no Caribe.

Em um contexto de tanta violência, mulheres negras negras são mais vítimas de violência obstétrica, abuso sexual e homicídio – de acordo com o Mapa da Violência 2016, os homicídios de mulheres negras aumentaram 54% em dez anos no Brasil, passando de 1.864, em 2003, para 2.875, em 2013 (enquanto os casos com vítimas brancas caíram 10%).

Barradas dos meios de comunicação, dos cargos de chefia e do governo, elas frequentemente não se vêem representadas nem nos movimentos feministas de seus países. Isso porque a desigualdade entre mulheres brancas e negras é grande: no Brasil, mulheres brancas recebem 70% a mais do que negras, segundo a pesquisa Mulheres e Trabalho, do IPEA, publicada em 2016. 

sexta-feira, 28 de junho de 2019

Projeto Arte e Vida será iniciado em Petrolândia-PE, nesse sábado dia 29/06/2019


Nesse sábado dia 29 de junho de 2019, será realizado o lançamento do Projeto Arte e Vida, no bairro Nova Esperança, na cidade de Petrolândia, no sertão pernambucano.

A iniciativa é o resultado de uma parceria inovadora, construída entre a Paróquia de São Francisco em Petrolândia, a Comunidade Católica de Santo Expedito, no bairro Nova Esperança e o Instituto Cultural Raízes, ONG que já desenvolve o mesmo projeto em parceria com a Diocese de Floresta, em duas comunidades da periferia da cidade florestana e que tem sido referência na região.

Na programação que terá início a partir das 16:00h, em frente a Escola Itamar Leite, no bairro Nova Esperança, serão realizadas diversas apresentações culturais, no Arraiá em homenagem especial ao Sr. Martins (em memória). 

Quadrilha Junina, Coco de Roda, Maracatu, Ciranda e outras expressões da nossa cultura popular, serão as atrações trazidas pelo Instituto Cultural Raízes, Grupo Pastoril Esperança, Quadrilha Brilho Matuto e Grupo Bem Viver da 3ª Idade.

O Projeto Arte e Vida, será desenvolvido através de oficinas e cursos nas diversas linguagens da cultura, bem como na perspectiva de geração de renda alternativa e, buscará atender crianças, adolescentes, jovens e adultos da comunidade.

Durante o mês de julho, serão realizadas as inscrições, e entre os meses de julho e agosto, terão início as atividades.

Saiba mais sobre o Projeto Arte e Vida

O Projeto ARTE E VIDA, busca oferecer para crianças, adolescentes, jovens e adultos, moradores do bairro Nova Esperança na cidade de Petrolândia-PE, uma proposta de promoção da cidadania plena e ativa, aliada ao desenvolvimento de formas positivas de convivência comunitária, a partir das práticas artísticas, culturais, esportivas e lúdicas, atendendo a estratégia de ocupação do tempo livre e, da elevação da auto-estima, bem como da construção da identidade sócio-cultural e da promoção de uma cultura de paz.

Objetivo Geral

Promover a valorização da vida, a partir da construção da identidade sócio-cultural e da formação para o exercício da cidadania plena e ativa.

Objetivos Específicos

– incentivar a construção da identidade sócio-cultural, como forma de compreensão da realidade, a partir do local/comunidade/território e de formação para cidadania plena e ativa;
– promover a vivência das expressões culturais de origem afro-brasileira e indígena, através da música, da dança e das artes;
- promover atividades educativas, esportivas e lúdicas, que proporcionem lazer, ocupação do tempo livre e a convivência harmoniosa;
- colaborar para a construção de projetos de vida, baseado nos valores humanos de uma sociedade fraterna e igualitária;
– contribuir para a eliminação do preconceito e da discriminação racial;
- estimular a vivência em comunidade de forma fraterna, solidária e participativa;
- promover a compreensão da importância de se conviver em harmonia, respeito às diversidades e diferenças e, criando uma cultura de paz e do bem viver;
- incentivar o desenvolvimento de atividades geradoras de renda alternativa.

quinta-feira, 20 de junho de 2019

Instituto Raízes dá um show de Cultura Popular no aniversário de Floresta-PE, com o Projeto Arte e Vida


Neste dia 20 de junho de 2019, mais uma vez o Instituto Cultural Raízes deu um show de Cultura Popular com a apresentação do Maracatu Afrobatuque.

A apresentação ocorreu por ocasião do aniversário de 112 anos de Floresta, tendo sido parte da programação oficial do dia.

O Instituto Cultural Raízes 60 (sessenta) integrantes do Maracatu Afrobatuque, os(as) quais participantes do Projeto Arte e Vida, que é desenvolvido pelo Instituto nos bairros do Escondidinho/Vulcão e DNER, em parceria com a Diocese e a Paróquia de Floresta.

O Projeto Arte e Vida está atendendo uma média de 120 crianças, adolescentes e jovens, nos dois bairros, sendo o maior e principal Projeto Sócio-Cultural de Floresta e região.

Em uma data importante como esta, o Instituto Raízes parabeniza Floresta e, dá sua contribuição efetiva para a valorização das raízes afroindígenas que são os elementos mais fortes da cultura e da tradição do município.

O Maracatu Afrobatuque que é o principal grupo cultural de Floresta e região e, o maior grupo de Maracatu de Baque Virado do sertão pernambucano, foi fundado em 02 de setembro de 2011 e é mantido pelo Instituto Cultural Raízes.

domingo, 9 de junho de 2019

Começa a ser formada a Pastoral Afrobrasileira na Diocese de Floresta PE

Padre João Deoclécio, Irmã Lourdes Braz e Libânio Neto
O dia 5 de maio de 2019, data em que se realizou o 1º Encontro das Comunidades Quilombolas de Inajá (fruto de uma parceria entre a Paróquia de Inajá, as Comunidades Quilombolas e o Instituto Cultural Raízes), marcou também o início da caminhada de construção da Pastoral Afrobrasileira na Diocese de Floresta.

O exemplo de construção do encontro, por parte do Padre João Deoclécio e da Irmã Lourdes Braz, em conjunto com as lideranças das comunidades e o acompanhamento do Presidente do Instituto Cultural Raízes, Libânio Neto, representou de forma concreta a possibilidade de dar prosseguimento à construção de mais uma pastoral social no âmbito da Diocese.

A necessidade de se construir a Pastoral Afrobrasileira na Diocese de Floresta tornou-se cada vez mais evidente a partir da quantidade de Comunidades Quilombolas existentes no território de atuação da Diocese e é uma das preocupações prioritárias do Bispo Diocesano, Dom Gabriel Marchesi.

O que é a Pastoral AFRO - BRASILEIRA 

A pastoral afro-brasileira na Igreja do Brasil, surgiu como consequência de um longo processo de conscientização e militância de gerações de negros e negras, que assumiram viver sua fé e sua negritude. 

A preocupação com o povo Negro Católico brasileiro, é algo que vem de longa data, especialmente a partir das conclusões do Concílio Vaticano II, que apresentou a imagem de Igreja Povo de Deus, seguidas pelos Documentos Latino- Americanos (Medellin, Puebla, Santo Domingo). 

Ressaltam eles, a opção preferencial da Igreja pelos pobres, considerados em sua condição de excluídos de cidadania plena e na importância de seus valores culturais e religiosos, no processo de renovação e inculturação da ação evangelizadora da Igreja no Brasil. 

Objetivos 

> sensibilizar a Igreja para o conhecimento das questões afro-brasileiras; animar os grupos negros católicos existentes; 
> incentivar o surgimento de novos grupos que buscam sua identidade numa sociedade e Igreja plurais; 
> animar as comunidades, proporcionando a vivência da rica herança e experiência da reflexão pastoral nas comunidades negras afrobrasileiras, para aprofundar a superação de todos os preconceitos, discriminações, reconhecendo os valores religiosos e tradicionais da cultura africana; 
> despertar vocações, dentro da espiritualidade e mística afro-brasileira, através do diálogo inter-religioso com as diversas religiões de matriz africana; 
> empreender ações solidárias dentro dos objetivos da ação evangelizadora na nossa sociedade injusta, visando a superação das desigualdades, da exclusão social, da miséria e da violência contra o povo negro, através de políticas públicas que favoreçam a inclusão social e o reconhecimento dos direitos das populações afrodescendentes.