PROJETO TV RAÍZES

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sexta-feira, 3 de janeiro de 2020

1 ano de Luto, Dor e Tristeza, por uma perda irreparável


Há um ano, no início da noite uma imensa tristeza e um profundo tomou conta de todos nós, ao sabermos do falecimento de Mônica Santos Alves, integrante da Diretoria Executiva do Instituto Cultural Raízes.

Sua partida de forma repentina e inesperada, nos pegou a todos(as) de surpresa, causando imensa dor, face à tamanha e irreparável perda.

A história de Mônica entre nós do Instituto Raízes, teve início ainda no primeiro semestre de 2012 e foi marcada por sua característica alegre, divertida, participativa e dedicada, que cativou o carinho e a atenção de todos(as) que tivemos o privilégio da sua convivência.

Menina cheia de vida e de sonhos, que buscava vencer os desafios da vida de forma digna e exemplar.

Um ano depois, continua faltando palavras para descrever todo o sentimento de tristeza que toma conta de cada um(a) de nós em um momento como este.

Continuam as dúvidas e as perguntas: falta de atenção médica desde o primeiro atendimento? negligência médica e hospitalar? teria dado tempo salvar sua vida, caso as providências necessárias fossem tomadas à tempo?

Resta-nos, mesmo indignados(as), buscar forças para suportar a dor e para administrar a saudade e a falta do seu sorriso.

Nossos mais sinceros sentimentos a todos os seus familiares e em especial a Dona Fátima, sua mãe, cuja dor é incalculável.

Estará sempre presente em nossa memória.

segunda-feira, 16 de dezembro de 2019

Nota de Pesar - Falecimento Dito de Oxóssi

Dito de Oxóssi em Floresta-PE, no dia 20 de novembro de 2009

O Instituto Cultural Raízes, manifesta seu pesar pelo falecimento do Babalorixá e vocalista do Afoxé Ylê de Egbá, Dito de Oxóssi, ocorrido na manhã de ontem (domingo) em Recife.

Dito de Oxóssi foi uma das primeiras vozes de Afoxé que escutamos, quando esteve em Floresta-PE, no dia 20 de novembro de 2009, momento em que ocorreu a primeira Celebração da Consciência Negra na cidade.

Na oportunidade, realizava-se o Festival Pernambuco Nação Cultural, que muito nos inspirou na caminhada de estruturação do trabalho do Instituto Cultural Raízes.

Nos irmanamos nos sentimentos de perda para a cultura negra e os Afoxés de Pernambuco, bem como nos solidarizamos com os familiares e amigos.

domingo, 8 de dezembro de 2019

CELEBRAÇÃO DA CONSCIÊNCIA NEGRA EM FLORESTA - PE - UM ATO HISTÓRICO


No dia 23 de novembro de 2019, o Instituto Cultural Raízes, comandou pela 11ª vez, a Celebração da Consciência Negra, no município de Floresta, no sertão pernambucano.

Neste ano, o evento foi realizado pelo Instituto Raízes e o Projeto Arte e Vida, que é desenvolvido em parceria da entidade com a Diocese de Floresta.

A comunidade escolhida para a vivência deste momento, foi o Bairro DNER, local em que se desenvolve a maior parte das ações do Projeto Arte e Vida na cidade.

A noite cultural teve início às 19:30h, com a realização de um grande cortejo cultural pelas ruas do bairro DNER, seguindo depois para o espaço em que funciona o Projeto Arte e Vida, aonde ocorreram as apresentações culturais.

Maracatu de Baque Virado, Afoxé, Maculelê, Capoeira e várias danças afrobrasileiras, fizeram parte das apresentações culturais dos diversos grupos presentes à exemplo do Maracatu Afrobatuque, Grupo Zumbi de Mirandiba, Grupo da Aldeia Lagoa da Serra do Arapuá (Povo Pankará), Grupo de Jovens da Comunidade Quilombola de Poço Dantas de Inajá.

Mais uma vez a Celebração da Consciência Negra em Floresta, se afirma como maior evento de cultura afrobrasileira da região, representando um exemplo de resistência humana e cultural e de afirmação da negritude.

terça-feira, 19 de novembro de 2019

11ª CELEBRAÇÃO DA CONSCIÊNCIA NEGRA EM FLORESTA SERÁ NO BAIRRO DNER


O Instituto Cultural Raízes, vem convidar a todos(as) os(as) florestanos(as) e pessoas das cidades circunvizinhas, para a 11ª Celebração da Consciência Negra, que será realizada no próximo sábado, dia 23 de novembro de 2019, no bairro DNER.

A Celebração da Consciência Negra em Floresta é realizada todo mês de novembro, por iniciativa do Instituto Cultural Raízes, que em 2009 idealizou a vivência deste momento e de 2010 em diante, transformou a celebração no maior evento de Cultura Afrobrasileira da região.

Neste ano, a Celebração da Consciência Negra acontecerá no bairro DNER, aonde se desenvolve com maior intensidade o Projeto ARTE E VIDA, resultante da parceria entre o Instituto Cultural Raízes e a Diocese de Floresta.

Outro aspecto muito importante do evento neste ano é o início de formação da Pastoral Afrobrasileira no âmbito da Diocese de Floresta.

A programação terá início às 19:00h (7 da noite) e terá o seguinte roteiro:

18:30h - Início da Concentração em frente à Igreja de São Francisco
19:00h - Coroação do Rei e da Rainha
              Saída do Cortejo Cultural
20:30h - Início das apresentações culturais no ESPAÇO ARTE E VIDA (ao lado da Igreja de São Francisco

Nas apresentações culturais, terão: CAPOEIRA, AFOXÉ, MARACATU, CÔCO DE RODA e muito mais.

Contaremos com a presença de grupos culturais de outras cidades como Inajá, Petrolândia e Mirandiba.

Para informações sobre o evento, contactar Libânio Neto, no Cel/Zap (87) 99927.9125.

segunda-feira, 16 de setembro de 2019

PARABÉNS DOM GABRIEL, POR MAIS UM ANO DE VIDA


O Instituto Cultural Raízes parabeniza especialmente, na data de hoje (16/09/2019), o Bispo Diocesano de Floresta, Dom Gabriel Marchesi, pela celebração de mais um ano de vida.

A Diretoria do Instituto Raízes, expressa sua profunda gratidão, admiração e consideração para com Dom Gabriel, por sua atitude desde que nos conheceu, nos tratando com respeito, valorizando nosso trabalho e reconhecendo no Instituto Cultural Raízes um sinal de esperança, possibilitando a construção da parceria que fez surgir o Projeto Arte e Vida na Diocese de Floresta. 

Desejamos-lhe longa vida e saúde para estar presente entre nós, com seu carisma, sua simplicidade e seu testemunho de vida, fiel aos preceitos do Evangelho de Jesus Cristo e de uma Igreja que caminha ao lado dos pobres e excluídos. 

Que Deus o abençõe sempre! 

sexta-feira, 26 de julho de 2019

Me gritaram negra


Me gritaram Negra - Poema de Victoria Santa Cruz

Tinha sete anos apenas,
apenas sete anos,
Que sete anos!
Não chegava nem a cinco!
De repente umas vozes na rua
me gritaram Negra!
Negra! Negra! Negra! Negra! Negra! Negra! Negra!

“Por acaso sou negra?” – me disse
SIM!
“Que coisa é ser negra?”
Negra!
E eu não sabia a triste verdade que aquilo escondia.
Negra!
E me senti negra,
Negra!
Como eles diziam
Negra!
E retrocedi
Negra!
Como eles queriam
Negra!
E odiei meus cabelos e meus lábios grossos
e mirei apenada minha carne tostada
E retrocedi
Negra!
E retrocedi . . .
Negra! Negra! Negra! Negra!
Negra! Negra! Neeegra!
Negra! Negra! Negra! Negra!
Negra! Negra! Negra! Negra!

E passava o tempo,
e sempre amargurada
Continuava levando nas minhas costas
minha pesada carga
E como pesava!…

Alisei o cabelo,
Passei pó na cara,
e entre minhas entranhas sempre ressoava a mesma palavra
Negra! Negra! Negra! Negra!
Negra! Negra! Neeegra!
Até que um dia que retrocedia , retrocedia e que ia cair
Negra! Negra! Negra! Negra!
Negra! Negra! Negra! Negra!
Negra! Negra! Negra! Negra!
Negra! Negra! Negra!

E daí?
E daí?
Negra!
Sim
Negra!
Sou
Negra!
Negra
Negra!
Negra sou
Negra!
Sim
Negra!
Sou
Negra!
Negra
Negra!
Negra sou

De hoje em diante não quero
alisar meu cabelo
Não quero
E vou rir daqueles,
que por evitar – segundo eles –
que por evitar-nos algum disabor
Chamam aos negros de gente de cor
E de que cor!
NEGRA
E como soa lindo!
NEGRO
E que ritmo tem!
Negro Negro Negro Negro
Negro Negro Negro Negro
Negro Negro Negro Negro
Negro Negro Negro

Afinal
Afinal compreendi
AFINAL
Já não retrocedo
AFINAL
E avanço segura
AFINAL
Avanço e espero
AFINAL
E bendigo aos céus porque quis Deus
que negro azeviche fosse minha cor
E já compreendi
AFINAL
Já tenho a chave!
NEGRO NEGRO NEGRO NEGRO
NEGRO NEGRO NEGRO NEGRO
NEGRO NEGRO NEGRO NEGRO
NEGRO NEGRO
Negra sou!

Victoria Santa Cruz

Com uma voz forte e intensa, Victoria Eugenia Santa Cruz Gamarra declama seu poema “Gritaram-me nega” em referencia a experiência de preconceito vivida ainda criança dentro de um grupo de amigos que a expulsaram simplesmente por ser negra. 

Foi a partir deste momento que a poeta, coreógrafa, estilista e folclorista afro-peruana passou a refletir sobre a importância do sofrimento, percebendo que certas injustiças poderiam até despertar ódio. Tais experiências fizeram com que ela se reconhecesse como negra, aumentando assim sua autoestima e fazendo com que descobrisse o prazer de viver de uma forma mais equilibrada. Victoria cresceu, consciente de sua negritude. 

Nascida em La Vitoria, província de Lima, Peru, no ano de 1922, a arte e a cultura afro-peruana a rodeava. Seu pai, Nicomedes Santa Cruz Aparicio, foi um importante dramaturgo e poeta, e sua mãe, Victoria Gamarra, bailarina de marinera (dança típica do Peru que une raízes culturais indígenas, africanas e espanholas) e filha de um famoso ator. 

Aos 36 anos, Victoria cria o grupo Cumanana juntamente com seu irmão mais novo, o poeta, pesquisador e jornalista Nicomedes Santa Cruz Gamarra, um dos primeiros grupos teatrais inteiramente integrado por negros que tinha como intuito difundir as diversas vertentes da cultura afro-peruana. Deste projeto, posteriormente, foram lançados alguns discos contando um pouco da história deste povo e de suas manifestações artísticas. 

Com a possibilidade de viajar a Paris para estudar na Universidade de Teatro das Nações e Escola Superior de Estudos Coreográficos, a poeta se destaca como figurinista, trabalhando em obras como “El retablo de Don Cristóbal”, de García Lorca e em “La Rosa de Papel”, de Ramón Del Valle Inclán. 

Em seu retorno, funda a “Companhia Teatro e Danças Negras do Peru” fazendo apresentações nos melhores teatros e na televisão, chegando inclusive a representar seu país nos Jogos Olímpicos do México em 1968 com grande êxito e premiada por seu trabalho. 

Victoria sempre se mostrou engajada em construir sua identidade negra utilizando o próprio corpo como suporte de resistência e afirmação, assim como também esteve envolvida na busca da valorização das tradições musicais e culturais negras no Peru. Em consequência de seu engajamento, a artista recebe, em 1970, o prêmio de melhor folclorista no primeiro Festival e Seminário Latino-americano de TV, organizado pela Universidade Católica do Chile. 

Posteriormente, ela correu o mundo com sua companhia, especialmente nos tempos em que era diretora do Conjunto Nacional de Folclore do Instituto Nacional da Cultura. Victoria chegou a fazer turnês pelos Estados Unidos, El Salvador, França, Bélgica, Suíça, entre outros países. 

Victoria Santa Cruz foi uma das poucas mulheres latino-americanas e negras a lecionar na requisitada Universidade Carnegie Mellon, Pensilvânia, nos Estados Unidos, entrando, à principio como professora convidada, mas anos depois alcança o cargo de professora vitalícia. 

Em 2014, após muita dedicação ao estudo e à preservação da tradição afro-peruana, a artista veio a falecer aos 91 anos por conta de uma debilidade em sua saúde, mas deixou um legado forte e importantíssimo, sendo considerada como porta-voz de muitas mulheres negras que enfrentam a cada dia a ditadura do ideal de beleza branco. 

Victoria deixa sua mensagem de que é preciso resistir e reagir contra o que vem de forma negativa, transforma-lo em afirmação, fortalecendo assim o ser como sujeito numa maior compreensão de si mesmo. É o renascer, é se esclarecer como negra pertencente a este mundo.