PROJETO TV RAÍZES

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sexta-feira, 26 de julho de 2019

Me gritaram negra


Me gritaram Negra - Poema de Victoria Santa Cruz

Tinha sete anos apenas,
apenas sete anos,
Que sete anos!
Não chegava nem a cinco!
De repente umas vozes na rua
me gritaram Negra!
Negra! Negra! Negra! Negra! Negra! Negra! Negra!

“Por acaso sou negra?” – me disse
SIM!
“Que coisa é ser negra?”
Negra!
E eu não sabia a triste verdade que aquilo escondia.
Negra!
E me senti negra,
Negra!
Como eles diziam
Negra!
E retrocedi
Negra!
Como eles queriam
Negra!
E odiei meus cabelos e meus lábios grossos
e mirei apenada minha carne tostada
E retrocedi
Negra!
E retrocedi . . .
Negra! Negra! Negra! Negra!
Negra! Negra! Neeegra!
Negra! Negra! Negra! Negra!
Negra! Negra! Negra! Negra!

E passava o tempo,
e sempre amargurada
Continuava levando nas minhas costas
minha pesada carga
E como pesava!…

Alisei o cabelo,
Passei pó na cara,
e entre minhas entranhas sempre ressoava a mesma palavra
Negra! Negra! Negra! Negra!
Negra! Negra! Neeegra!
Até que um dia que retrocedia , retrocedia e que ia cair
Negra! Negra! Negra! Negra!
Negra! Negra! Negra! Negra!
Negra! Negra! Negra! Negra!
Negra! Negra! Negra!

E daí?
E daí?
Negra!
Sim
Negra!
Sou
Negra!
Negra
Negra!
Negra sou
Negra!
Sim
Negra!
Sou
Negra!
Negra
Negra!
Negra sou

De hoje em diante não quero
alisar meu cabelo
Não quero
E vou rir daqueles,
que por evitar – segundo eles –
que por evitar-nos algum disabor
Chamam aos negros de gente de cor
E de que cor!
NEGRA
E como soa lindo!
NEGRO
E que ritmo tem!
Negro Negro Negro Negro
Negro Negro Negro Negro
Negro Negro Negro Negro
Negro Negro Negro

Afinal
Afinal compreendi
AFINAL
Já não retrocedo
AFINAL
E avanço segura
AFINAL
Avanço e espero
AFINAL
E bendigo aos céus porque quis Deus
que negro azeviche fosse minha cor
E já compreendi
AFINAL
Já tenho a chave!
NEGRO NEGRO NEGRO NEGRO
NEGRO NEGRO NEGRO NEGRO
NEGRO NEGRO NEGRO NEGRO
NEGRO NEGRO
Negra sou!

Victoria Santa Cruz

Com uma voz forte e intensa, Victoria Eugenia Santa Cruz Gamarra declama seu poema “Gritaram-me nega” em referencia a experiência de preconceito vivida ainda criança dentro de um grupo de amigos que a expulsaram simplesmente por ser negra. 

Foi a partir deste momento que a poeta, coreógrafa, estilista e folclorista afro-peruana passou a refletir sobre a importância do sofrimento, percebendo que certas injustiças poderiam até despertar ódio. Tais experiências fizeram com que ela se reconhecesse como negra, aumentando assim sua autoestima e fazendo com que descobrisse o prazer de viver de uma forma mais equilibrada. Victoria cresceu, consciente de sua negritude. 

Nascida em La Vitoria, província de Lima, Peru, no ano de 1922, a arte e a cultura afro-peruana a rodeava. Seu pai, Nicomedes Santa Cruz Aparicio, foi um importante dramaturgo e poeta, e sua mãe, Victoria Gamarra, bailarina de marinera (dança típica do Peru que une raízes culturais indígenas, africanas e espanholas) e filha de um famoso ator. 

Aos 36 anos, Victoria cria o grupo Cumanana juntamente com seu irmão mais novo, o poeta, pesquisador e jornalista Nicomedes Santa Cruz Gamarra, um dos primeiros grupos teatrais inteiramente integrado por negros que tinha como intuito difundir as diversas vertentes da cultura afro-peruana. Deste projeto, posteriormente, foram lançados alguns discos contando um pouco da história deste povo e de suas manifestações artísticas. 

Com a possibilidade de viajar a Paris para estudar na Universidade de Teatro das Nações e Escola Superior de Estudos Coreográficos, a poeta se destaca como figurinista, trabalhando em obras como “El retablo de Don Cristóbal”, de García Lorca e em “La Rosa de Papel”, de Ramón Del Valle Inclán. 

Em seu retorno, funda a “Companhia Teatro e Danças Negras do Peru” fazendo apresentações nos melhores teatros e na televisão, chegando inclusive a representar seu país nos Jogos Olímpicos do México em 1968 com grande êxito e premiada por seu trabalho. 

Victoria sempre se mostrou engajada em construir sua identidade negra utilizando o próprio corpo como suporte de resistência e afirmação, assim como também esteve envolvida na busca da valorização das tradições musicais e culturais negras no Peru. Em consequência de seu engajamento, a artista recebe, em 1970, o prêmio de melhor folclorista no primeiro Festival e Seminário Latino-americano de TV, organizado pela Universidade Católica do Chile. 

Posteriormente, ela correu o mundo com sua companhia, especialmente nos tempos em que era diretora do Conjunto Nacional de Folclore do Instituto Nacional da Cultura. Victoria chegou a fazer turnês pelos Estados Unidos, El Salvador, França, Bélgica, Suíça, entre outros países. 

Victoria Santa Cruz foi uma das poucas mulheres latino-americanas e negras a lecionar na requisitada Universidade Carnegie Mellon, Pensilvânia, nos Estados Unidos, entrando, à principio como professora convidada, mas anos depois alcança o cargo de professora vitalícia. 

Em 2014, após muita dedicação ao estudo e à preservação da tradição afro-peruana, a artista veio a falecer aos 91 anos por conta de uma debilidade em sua saúde, mas deixou um legado forte e importantíssimo, sendo considerada como porta-voz de muitas mulheres negras que enfrentam a cada dia a ditadura do ideal de beleza branco. 

Victoria deixa sua mensagem de que é preciso resistir e reagir contra o que vem de forma negativa, transforma-lo em afirmação, fortalecendo assim o ser como sujeito numa maior compreensão de si mesmo. É o renascer, é se esclarecer como negra pertencente a este mundo. 

quinta-feira, 25 de julho de 2019

HEROÍNAS NEGRAS DO BRASIL - CONHEÇA A HISTÓRIA
















25 de julho: Dia Nacional de Tereza de Benguela, a líder do Quilombo de Quariterê


Dia 25 de julho é data para celebrar o Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra. 

“Rainha Tereza”, como ficou conhecida em seu tempo, viveu na década de XVIII no Vale do Guaporé, no Mato Grosso. Ela liderou o Quilombo de Quariterê após a morte de seu companheiro, José Piolho, morto por soldados. 

Segundo documentos da época, o lugar abrigava mais de 100 pessoas, com aproximadamente 79 negros e 30 índios. O quilombo resistiu da década de 1730 ao final do século. Tereza foi morta após ser capturada por soldados em 1770 – alguns dizem que a causa foi suicídio; outros, execução ou doença.

Sua liderança se destacou com a criação de uma espécie de Parlamento e de um sistema de defesa. Ali, era cultivado o algodão, que servia posteriormente para a produção de tecidos. Havia também plantações de milho, feijão, mandioca, banana, entre outros.

“Governava esse quilombo a modo de parlamento, tendo para o conselho uma casa destinada, para a qual, em dias assinalados de todas as semanas, entravam os deputados, sendo o de maior autoridade, tido por conselheiro, José Piolho, escravo da herança do defunto Antônio Pacheco de Morais. Isso faziam, tanto que eram chamados pela rainha, que era a que presidia e que naquele negral Senado se assentava, e se executavam à risca, sem apelação nem agravo”
(Anal de Vila Bela do ano de 1770)

Após ser capturada em 1770, o documento afirma: “em poucos dias expirou de pasmo. Morta ela, se lhe cortou a cabeça e se pôs no meio da praça daquele quilombo, em um alto poste, onde ficou para memória e exemplo dos que a vissem”. Alguns quilombolas conseguiram fugir ao ataque e o reconstruíram – mesmo assim, em 1777 foi novamente atacado pelo exército, sendo finalmente extinto em 1795.

A dataA Lei nº 12.987/2014, foi sancionado pela presidenta Dilma Rousseff, como o Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra. Tereza de Benguela foi uma líder quilombola, viveu durante o século 18. Com a morte do companheiro, Tereza se tornou a rainha do quilombo, e, sob sua liderança, a comunidade negra e indígena resistiu à escravidão por duas décadas, sobrevivendo até 1770, quando o quilombo foi destruído pelas forças de Luiz Pinto de Souza Coutinho e a população (79 negros e 30 índios), morta ou aprisionada.

A história da “Rainha” foi relembrada em 1994 pela escola de samba Unidos da Viradouro no samba-enredo “Tereza de Benguela, uma rainha negra no Pantanal”.

Homenageadas – Assim como Tereza, outras mulheres foram e são importantes para a nossa história. Com trabalhos impecáveis e perseverança, elas deixaram um legado, que cabe a nós reverenciarmos e visibilizarmos a emancipação das mulheres negras, como forma de homenagear; Antonieta de Barros, Aqualtune, Theodosina Rosário Ribeiro, Benedita da Silva, Jurema Batista, Leci Brandão, Chiquinha Gonzaga, Ruth de Souza, Elisa Lucinda, Conceição Evaristo, Maria Filipa, Maria Conceição Nazaré (Mãe Menininha de Gantois), Luiza Mahin, Lélia Gonzalez, Dandara, Carolina Maria de Jesus, Elza Soares, Mãe Stella de Oxóssi, entre tantas outras.

Injustiças centenárias

No Brasil, a mulher negra encontra-se em uma das posições mais vulneráveis da nossa sociedade quando analisados fatores como, por exemplo, taxa de homicídios, inclusão no mercado de trabalho, disparidade salarial, condições de trabalho e desemprego.

De acordo com o estudo Atlas da Violência 2018, realizado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), a taxa de homicídios de mulheres negras ficou em 5,3 a cada 100 mil habitantes. Entre mulheres não negras, esse índice cai para 3,1 a cada 100 mil habitantes, uma diferença de 71%.

Outros dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) revelam que mulheres negras estão 50% mais suscetíveis ao desemprego do que outros grupos. Segundo o Ipea, enquanto o desemprego entre mulheres negras subiu 80% em relação ao período anterior à crise econômica, entre homens brancos o aumento foi de 4,6 pontos percentuais - entre homens negros, houve crescimento de 7 pontos percentuais.

Números do IBGE apontam que ser mulher negra no Brasil significa sofrer com uma intensa desigualdade, como no campo profissional por exemplo. 71% das mulheres negras estão em ocupações precárias e informais, contra 54% das mulheres brancas e 48% dos homens brancos. O salário médio da trabalhadora negra continua sendo a metade do salário da trabalhadora branca. Mesmo quando sua escolaridade é similar à escolaridade de uma mulher branca, a diferença salarial gira em trono de 40% a mais para esta.

Esse quadro de desigualdade é evidenciado mesmo quando a graduação no ensino superior é considerada. De acordo com a pesquisa “O Desafio da Inclusão”, do Instituto Locomotiva, divulgada em 2017, o salário de uma mulher negra com o ensino superior completo é, em média, R$ 2,9 mil. Dentro desse mesmo cenário, o de uma mulher branca é R$ 3,8 mil; o de um homem negro, R$ 4,8 mil; e o de um homem branco, R$ 6,7 mil.

Fontes da pesquisa

CRUZ, Tereza Almeida. Um estudo comparado das relações ambientais de mulheres da floresta do Vale do Guaporé (Brasil) e do Mayombe (Angola) – 1980 – 2010. 2012. 367 f. Tese (Doutorado em História) – Curso de Pós-Graduação em História, Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2012.

FARIAS JÚNIOR, Emmanuel de Almeida. Negros do Guaporé: o sistema escravista e as territorialidades específicas. Revista do Centro de Estudos Rurais – UNICAMP, v.5, nº2, setembro de 2011. Disponível em . Acesso em 25 de julho de 2014.

25 de julho: Dia da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha


O dia 25 de julho é (desde o ano de 1992) chamado de DIA INTERNACIONAL DA MULHER NEGRA - LATINOAMERICANA E CARIBENHA.

A data teve origem em 1992, quando foi realizado o primeiro Encontro de Mulheres Negras Latinas e Caribenhas, em Santo Domingos, na República Dominicana, em que discutiram sobre machismo, racismo e formas de combatê-los. Daí surgiu uma rede de mulheres que permanece unida até hoje. Do encontro, nasceu também o Dia da Mulher Negra Latina e Caribenha, lembrado todo 25 de julho, data que foi reconhecida pela ONU ainda em 1992.

Um pouco da realidade da mulher negra no Brasil e na América Latina e Caribe

A população negra corresponde a mais da metade dos brasileiros: 54%, segundo o IBGE. Na América Latina e no Caribe, 200 milhões de pessoas se identificam como afrodescendentes, de acordo com a Associação Mujeres Afro. Tanto no Brasil quanto fora dele, porém, essa população também é a que mais sofre com a pobreza: por aqui, entre os mais pobres, três em cada quatro são pessoas negras, segundo o IBGE.

Quando se trata nas mulheres negras da região, a situação é ainda mais alarmante. De acordo com dados da Organização das Nações Unidas (ONU), dos 25 países com os maiores índices de feminicídio do mundo, 15 ficam na América Latina e no Caribe.

Em um contexto de tanta violência, mulheres negras negras são mais vítimas de violência obstétrica, abuso sexual e homicídio – de acordo com o Mapa da Violência 2016, os homicídios de mulheres negras aumentaram 54% em dez anos no Brasil, passando de 1.864, em 2003, para 2.875, em 2013 (enquanto os casos com vítimas brancas caíram 10%).

Barradas dos meios de comunicação, dos cargos de chefia e do governo, elas frequentemente não se vêem representadas nem nos movimentos feministas de seus países. Isso porque a desigualdade entre mulheres brancas e negras é grande: no Brasil, mulheres brancas recebem 70% a mais do que negras, segundo a pesquisa Mulheres e Trabalho, do IPEA, publicada em 2016. 

sexta-feira, 28 de junho de 2019

Projeto Arte e Vida será iniciado em Petrolândia-PE, nesse sábado dia 29/06/2019


Nesse sábado dia 29 de junho de 2019, será realizado o lançamento do Projeto Arte e Vida, no bairro Nova Esperança, na cidade de Petrolândia, no sertão pernambucano.

A iniciativa é o resultado de uma parceria inovadora, construída entre a Paróquia de São Francisco em Petrolândia, a Comunidade Católica de Santo Expedito, no bairro Nova Esperança e o Instituto Cultural Raízes, ONG que já desenvolve o mesmo projeto em parceria com a Diocese de Floresta, em duas comunidades da periferia da cidade florestana e que tem sido referência na região.

Na programação que terá início a partir das 16:00h, em frente a Escola Itamar Leite, no bairro Nova Esperança, serão realizadas diversas apresentações culturais, no Arraiá em homenagem especial ao Sr. Martins (em memória). 

Quadrilha Junina, Coco de Roda, Maracatu, Ciranda e outras expressões da nossa cultura popular, serão as atrações trazidas pelo Instituto Cultural Raízes, Grupo Pastoril Esperança, Quadrilha Brilho Matuto e Grupo Bem Viver da 3ª Idade.

O Projeto Arte e Vida, será desenvolvido através de oficinas e cursos nas diversas linguagens da cultura, bem como na perspectiva de geração de renda alternativa e, buscará atender crianças, adolescentes, jovens e adultos da comunidade.

Durante o mês de julho, serão realizadas as inscrições, e entre os meses de julho e agosto, terão início as atividades.

Saiba mais sobre o Projeto Arte e Vida

O Projeto ARTE E VIDA, busca oferecer para crianças, adolescentes, jovens e adultos, moradores do bairro Nova Esperança na cidade de Petrolândia-PE, uma proposta de promoção da cidadania plena e ativa, aliada ao desenvolvimento de formas positivas de convivência comunitária, a partir das práticas artísticas, culturais, esportivas e lúdicas, atendendo a estratégia de ocupação do tempo livre e, da elevação da auto-estima, bem como da construção da identidade sócio-cultural e da promoção de uma cultura de paz.

Objetivo Geral

Promover a valorização da vida, a partir da construção da identidade sócio-cultural e da formação para o exercício da cidadania plena e ativa.

Objetivos Específicos

– incentivar a construção da identidade sócio-cultural, como forma de compreensão da realidade, a partir do local/comunidade/território e de formação para cidadania plena e ativa;
– promover a vivência das expressões culturais de origem afro-brasileira e indígena, através da música, da dança e das artes;
- promover atividades educativas, esportivas e lúdicas, que proporcionem lazer, ocupação do tempo livre e a convivência harmoniosa;
- colaborar para a construção de projetos de vida, baseado nos valores humanos de uma sociedade fraterna e igualitária;
– contribuir para a eliminação do preconceito e da discriminação racial;
- estimular a vivência em comunidade de forma fraterna, solidária e participativa;
- promover a compreensão da importância de se conviver em harmonia, respeito às diversidades e diferenças e, criando uma cultura de paz e do bem viver;
- incentivar o desenvolvimento de atividades geradoras de renda alternativa.

quinta-feira, 20 de junho de 2019

Instituto Raízes dá um show de Cultura Popular no aniversário de Floresta-PE, com o Projeto Arte e Vida


Neste dia 20 de junho de 2019, mais uma vez o Instituto Cultural Raízes deu um show de Cultura Popular com a apresentação do Maracatu Afrobatuque.

A apresentação ocorreu por ocasião do aniversário de 112 anos de Floresta, tendo sido parte da programação oficial do dia.

O Instituto Cultural Raízes 60 (sessenta) integrantes do Maracatu Afrobatuque, os(as) quais participantes do Projeto Arte e Vida, que é desenvolvido pelo Instituto nos bairros do Escondidinho/Vulcão e DNER, em parceria com a Diocese e a Paróquia de Floresta.

O Projeto Arte e Vida está atendendo uma média de 120 crianças, adolescentes e jovens, nos dois bairros, sendo o maior e principal Projeto Sócio-Cultural de Floresta e região.

Em uma data importante como esta, o Instituto Raízes parabeniza Floresta e, dá sua contribuição efetiva para a valorização das raízes afroindígenas que são os elementos mais fortes da cultura e da tradição do município.

O Maracatu Afrobatuque que é o principal grupo cultural de Floresta e região e, o maior grupo de Maracatu de Baque Virado do sertão pernambucano, foi fundado em 02 de setembro de 2011 e é mantido pelo Instituto Cultural Raízes.

domingo, 9 de junho de 2019

Começa a ser formada a Pastoral Afrobrasileira na Diocese de Floresta PE

Padre João Deoclécio, Irmã Lourdes Braz e Libânio Neto
O dia 5 de maio de 2019, data em que se realizou o 1º Encontro das Comunidades Quilombolas de Inajá (fruto de uma parceria entre a Paróquia de Inajá, as Comunidades Quilombolas e o Instituto Cultural Raízes), marcou também o início da caminhada de construção da Pastoral Afrobrasileira na Diocese de Floresta.

O exemplo de construção do encontro, por parte do Padre João Deoclécio e da Irmã Lourdes Braz, em conjunto com as lideranças das comunidades e o acompanhamento do Presidente do Instituto Cultural Raízes, Libânio Neto, representou de forma concreta a possibilidade de dar prosseguimento à construção de mais uma pastoral social no âmbito da Diocese.

A necessidade de se construir a Pastoral Afrobrasileira na Diocese de Floresta tornou-se cada vez mais evidente a partir da quantidade de Comunidades Quilombolas existentes no território de atuação da Diocese e é uma das preocupações prioritárias do Bispo Diocesano, Dom Gabriel Marchesi.

O que é a Pastoral AFRO - BRASILEIRA 

A pastoral afro-brasileira na Igreja do Brasil, surgiu como consequência de um longo processo de conscientização e militância de gerações de negros e negras, que assumiram viver sua fé e sua negritude. 

A preocupação com o povo Negro Católico brasileiro, é algo que vem de longa data, especialmente a partir das conclusões do Concílio Vaticano II, que apresentou a imagem de Igreja Povo de Deus, seguidas pelos Documentos Latino- Americanos (Medellin, Puebla, Santo Domingo). 

Ressaltam eles, a opção preferencial da Igreja pelos pobres, considerados em sua condição de excluídos de cidadania plena e na importância de seus valores culturais e religiosos, no processo de renovação e inculturação da ação evangelizadora da Igreja no Brasil. 

Objetivos 

> sensibilizar a Igreja para o conhecimento das questões afro-brasileiras; animar os grupos negros católicos existentes; 
> incentivar o surgimento de novos grupos que buscam sua identidade numa sociedade e Igreja plurais; 
> animar as comunidades, proporcionando a vivência da rica herança e experiência da reflexão pastoral nas comunidades negras afrobrasileiras, para aprofundar a superação de todos os preconceitos, discriminações, reconhecendo os valores religiosos e tradicionais da cultura africana; 
> despertar vocações, dentro da espiritualidade e mística afro-brasileira, através do diálogo inter-religioso com as diversas religiões de matriz africana; 
> empreender ações solidárias dentro dos objetivos da ação evangelizadora na nossa sociedade injusta, visando a superação das desigualdades, da exclusão social, da miséria e da violência contra o povo negro, através de políticas públicas que favoreçam a inclusão social e o reconhecimento dos direitos das populações afrodescendentes.

sexta-feira, 7 de junho de 2019

Instituto Raízes participa da celebração de Santo Antônio em Inajá-PE


Na quinta-feira, 6 de junho de 2019, O Instituto Cultural Raízes participou na cidade de Inajá, no sertão pernambucano, da celebração em homenagem a Santo Antônio.

Dentro da programação da trezena de Santo Antônio (uma das mais expressivas celebrações da Fé Católica em Inajá) a noite da quinta-feira foi destinada às Comunidades Tradicionais (Indígenas e Quilombolas) e aos romeiros do Padre Cicero.

A participação do Instituto Raízes, se deu em atendimento ao convite da Paróquia de Inajá, através do Padre João Deoclécio e da Irmã Lourdes, com apoio da própria Paróquia e da Prefeitura Municipal de Inajá.

Em homenagem as Comunidades Quilombolas de Inajá (Poço Dantas e Enjeitado) o Instituto Cultural Raízes se apresentou com o Maracatu Afrobatuque - Raízes de Luanda - (principal grupo cultural criado pelo Instituto), composto por integrantes da coordenação da entidade, reunindo também alunos(as) do Projeto Arte e Vida, dos bairros Escondidinho/Vulcão e DNER, projeto este realizado em parceria com a Diocese e a Paróquia de Floresta.

quinta-feira, 6 de junho de 2019

Instituto Raízes participa de Encontro Quilombola em Inajá/PE


No dia 05 de maio de 2019, o Instituto Cultural Raízes participou do 1º Encontro das Comunidades Quilombolas do município de Inajá, no sertão pernambucano.

O encontro foi organizado pela Paróquia de Inajá, através do Padre João e da Irmã Lourdes, juntamente com as lideranças das Comunidades Quilombolas de Poço Dantas e Enjeitado, tendo sido realizado na Escola Municipal Olímpia Maria de Oliveira.

Dentre os objetivos do Encontro, destaca-se a vivência cultural de ambas comunidades, bem como do Instituto Cultural Raízes, produzindo-se uma troca de experiências com ênfase nas tradições culturais do povo afrobrasileiro e quilombola, a partir da realidade local e regional.

A programação contou com palestra, trabalho de grupos, apresentações culturais do Instituto Raízes: Maracatu, Coco de Roda, Afoxé e Maculelê, além da Capoeira trazida pela Comunidade do Enjeitado, poesia popular e as zuelas, expressão tradicional da Comunidade de Poço Dantas.

Foi destaque também o Grupo de Jovens de Poço Dantas com apresentações de danças e a participação ativa das lideranças de ambas as comunidades.

Este primeiro encontro representou um passo muito importante para a vivência e aprendizado das experiências populares, marcadamente afrobrasileira e indígena no contexto do sertão pernambucano, bem como serve de referência para outras comunidades quilombolas.

sábado, 1 de junho de 2019

Festival de Prêmios Beneficente em apoio ao Projeto Arte e Vida


O Instituto Cultural Raízes, lança a partir da presente data uma campanha de apoio solidário para a ampliação das atividades do Projeto Arte e Vida nos bairros DNER e Vulcão em Floresta/PE.

Trata-se de um FESTIVAL DE PRÊMIOS BENEFICENTE, cujo sorteio ocorrerá no dia 29 de setembro de 2019 e será transmitido ao vivo pelo Facebook e pelo Youtube.

O bilhete custa R$ 5,00 (cinco reais) com 5 prêmios a serem sorteados.

O recurso arrecadado com o Festival de Prêmios será aplicado na realização das atividades do Projeto Arte e Vida.

O Projeto Arte e Vida é a principal ação do Instituto Cultural Raízes em Floresta/PE e conta com a parceria da Diocese de Floresta, bem como da Paróquia de Floresta, na realização das atividades nos bairros Escondidinho/Vulcão e DNER.

Através das parcerias tem sido possível atender mais de 100 crianças, adolescentes e jovens nas duas comunidades, com atividades de cursos e oficinas culturais tais como danças, percussão, pintura em tela, artesanato, violão e flauta doce.

Com esta Campanha Solidária, busca-se ampliar as atividades, permitindo atender um número ainda maior de pessoas, com várias outras ações, cursos e oficinas.

Solicitamos a todos os(as) amigos(as), parceiros e admiradores de nosso trabalho que adquiram o bilhete e que divulguem junto às suas amizades e nas redes sociais.

quarta-feira, 22 de maio de 2019

Tristeza e pesar pela partida de Dona Guiomar

GUIOMAR EMÍLIA DE JESUS
É com grande pesar e profunda tristeza que registramos o falecimento de Dona Guiomar Emília de Jesus "GUIOMAR", na manhã do dia 21 de maio de 2019, na cidade de Recife/PE, onde se encontrava em internamento hospitalar.

GUIOMAR, teve uma vida marcada por muitas lutas, desafios e sofrimentos, onde por várias vezes superou os limites e dificuldades, tornando-se exemplo de resistência.

Quilombola de Floresta/PE, da família conhecida como "os contentes", DONA GUIOMAR simboliza a força e a fé da mulher negra. Tendo sido guardiã de tradições religiosas dos povos originários, destacando-se como rezadeira e referência espiritual do culto da Jurema e dos Caboclos, sendo também uma mulher de fé cristã, vivenciando o sincretismo que marca a vida das comunidades e povos tradicionais do sertão pernambucano.

Apoiadora e seguidora do trabalho do Instituto Cultural Raízes, especialmente do Maracatu Afrobatuque, do qual vários de seus familiares, entre filhos(as) e neto(as) participaram e outros já participaram.

Sua partida nos entristece profundamente, más ao mesmo tempo nos deixa a certeza de que jamais será esquecida em nosso meio e em nossa história.

Nesta hora de dor e lamentos, nos irmanamos aos(as) seus filhos(as), netos(as), bisnetos(as) e demais parentes e amigos, rogando ao Deus de nossos ancestrais, que acolha seu espírito e lhe proporcione o descanso eterno, bem como, nos dê força para seguirmos em frente.

Que sua luz possa nos iluminar e desde o plano superior possa nos dar alento, nos momentos mais difíceis.

GUIOMAR ESTARÁ SEMPRE PRESENTE ENTRE NÓS! 

domingo, 14 de abril de 2019

Diocese de Floresta realiza Assembléia das Pastorais Sociais

Participantes na Assembléia Diocesana das Pastorais Sociais

A Diocese de Floresta, realizou nos dias 06 e 07 deste mês de abril de 2019 (sábado e domingo passados), a Assembléia Diocesana das Pastorais Sociais.

O Encontro aconteceu no Centro de Formação da Diocese, localizado à cidade de Floresta, no sertão pernambucano, tendo como pauta a avaliação de como se encontra a atuação de cada pastoral social e as prioridades de atuação para o ano de 2019.

Vários seguimentos de pastorais sociais se fizeram presentes, representando paróquias, pescadores, trabalhadores rurais, crianças, juventude, saúde, indígenas e quilombolas, entre outros.

No dia 6, a reflexão foi sobre as experiências vivenciadas nas paróquias e Diocese, dando ênfase a análise da realidade atual, os desafios e trabalhos desenvolvidos.

Momento Cultural com a PJMP, Ponto de Cultura Indígena e Cia de Teatro Telma Rodrigues

Na noite do sábado, foi realizado um momento cultural que teve a PJMP como responsável com apresentação da Cia de Teatro Telma Rodrigues (de Jatobá) e o PCI (Ponto de Cultura Indígena) do Povo Pankararu. Logo após aconteceu um recital poético, seguido de música ao vivo.

Dom Gabriel Marchesi, Bispo Diocesano em sua mensagem ao final da Assembléia

No domingo dia 7, debateu-se sobre as prioridades de ações, aonde os(as) participantes destacaram as temáticas da Usina Nuclear, o Rio São Francisco, a questão dos Conselhos Paritários e a Formação.

Após analisarem a realidade a partir dos grupos de reflexão, várias propostas foram apresentadas, na busca de poder potencializar e fortalecer a atuação das pastorais sociais da Diocese de Floresta, sendo formada uma equipe composta de vários representantes das pastorais presentes e da articulação da Rede Diocesana de Cidadania,  com o objetivo de sintetizar as propostas, apresentar os encaminhamentos a serem colocados em prática e contribuir para a organização do trabalho em nível da Diocese.

Ao final da Assembléia, o Bispo Diocesano, Dom Gabriel Marchesi, falou aos(as) presentes sobre a principal missão da Igreja que é a defesa da vida, bem como destacou a importância do momento em que se busca fortalecer a ação social da igreja, através das pastorais sociais, que devem atuar em sintonia com os demais seguimentos da sociedade civil e colocando em prática o evangelho em sua dimensão de Fé e Vida, sendo sinal de esperança, especialmente no território da Diocese de Floresta.

Registro dos(as) participantes ao final da Assembléia 

quinta-feira, 21 de março de 2019

Dia Internacional contra o Racismo e a luta por igualdade no Brasil


A criação deste dia, proposto pela Organização das Nações Unidas (ONU), foi motivado em memória ao “Massacre de Shaperville”, ocorrido em 21 de março de 1960.

Nesta data, aproximadamente vinte mil pessoas protestavam contra a “lei do passe”, em Joanesburgo, na África do Sul. Esta lei obrigava os negros a andarem com identificações que limitavam os locais por onde poderiam circular dentro da cidade.
Tropas militares do Apartheid atacaram os manifestantes e mataram 69 pessoas, além de ferir uma centena de outras.

Em homenagem à luta e à memória desses manifestantes, o Dia Internacional contra a Discriminação Racial é comemorado em 21 de março.

Caminhos para combater o racismo no Brasil

O racismo no Brasil é algo pertinente desde o período colonial, no qual os portugueses achavam que a cor da pele determinava características como: força e capacidade intelectual. Com a "abolição da escravidão" e a criação de leis que visam erradicar o racismo, essa prática criminosa diminuiu muito; no entanto, ainda encontra-se presente na sociedade atual as bases da escravidão e do racismo. Por conseguinte, as pessoas negras sofrem diariamente as consequências de uma desumana discriminação que inclui piadas na internet, recebem salários inferiores aos brancos e são excluídas de vários grupos sociais, entre várias outras agressões. 

Periodicamente a mídia relata casos de pessoas negras que foram atingidas pelo racismo, em diversos seguimentos. Diante disso, percebe-se que grande parte da população ainda pensa que o fato de possuir uma maior quantidade de melanina na pele determina uma inferioridade, mesmo sendo provado por cientistas que a cor da pele não atribui ao indivíduo uma menor capacidade racional e física. Outrossim, alguns grupos, de direita, abertamente racistas, acham que deve existir uma supremacia branca, e eles usam como justificativa a questão da escravidão no país. Assim, observa-se que essa prática ilegal e desumana, continua causando um mal imenso em nossa sociedade.

Com a evolução tecnológica e a propagação das redes sociais, o número de piadas racistas aumentou drasticamente, fazendo com que o negro sofra cada vez mais com esses atos. Ademais, dentro das empresas há um grande preconceito com a população afrodescendente, que geralmente ocupa cargos inferiores e recebem menos que os brancos realizando o mesmo tipo de trabalho. Também é importante ressaltar que o racismo muitas vezes começa dentro das escolas, nas quais existem grupos de amigos que excluem uma determinada pessoa simplesmente por ela ser negra. Dessa maneira, fica claro que, se não houver um enfrentamento direto e permanente, os índices de racismos aumentarão.

Em suma, o preconceito contra o negro(a) presente na sociedade brasileira, não pode ser encarado como normal e deve ser erradicado. Para que isso ocorra, é necessário que haja a cobrança aos órgãos públicos, para de forma efetiva identificar e dar a real atenção aos casos de racismos, punindo os infratores e garantindo a segurança das pessoas. Além disso, é preciso que o ensino acerca da população africana seja colocado em prática, para que as pessoas aprendam desde pequenos que não há diferença entre um indivíduo da cor branca e negra. Também é imprescindível a participação da sociedade, que, por meio de mobilizações e manifestações, deve se conscientizar e mudar esse cenário.

21 de Março – Dia Internacional contra a Discriminação Racial


No dia 21 de março de 1960, na cidade de Joanesburgo, capital da África do Sul, 20 mil negros protestavam contra a lei do passe, que os obrigava a portar cartões de identificação, especificando os locais por onde eles podiam circular.

No bairro de Shaperville, os manifestantes se depararam com tropas do exército. Mesmo sendo uma manifestação pacífica, o exército atirou sobre a multidão, matando 69 pessoas e ferindo outras 186. Esta ação ficou conhecida como o Massacre de Shaperville. Em memória à tragédia, a ONU – Organização das Nações Unidas – instituiu o 21 de março como o Dia Internacional de Luta pela Eliminação da Discriminação Racial.

O Artigo I da Declaração das Nações Unidas sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Racial diz o seguinte:

“Discriminação Racial significa qualquer distinção, exclusão, restrição ou preferência baseada na raça, cor, ascendência, origem étnica ou nacional com a finalidade ou o efeito de impedir ou dificultar o reconhecimento e exercício, em bases de igualdade, aos direitos humanos e liberdades fundamentais nos campos político, econômico, social, cultural ou qualquer outra área da vida pública”

O racismo se apresenta, de forma velada ou não, contra judeus, árabes, mas sobretudo negros. No Brasil, onde os negros e seus descendentes representam mais da metade da população, o racismo ainda é um tema delicado.

Segundo o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento – PNUD – em seu relatório anual, “para conseguir romper o preconceito racial, o movimento negro brasileiro precisa criar alianças e falar para todo o país, inclusive para os brancos. Essa é a única maneira de mudar uma mentalidade forjada durante quase cinco séculos de discriminação”.

Aproveite esta data para refletir: você tem ou já teve atitudes racistas?

sábado, 9 de março de 2019

Os erros das homenagens no Dia Internacional da Mulher


Flores, chocolates e mensagens são presentes inofensivos. Mas, oferecidos sem reflexão, reforçam um ideal que destoa do real objetivo da data: a busca pela igualdade.

A história se repete todo ano. No Dia Internacional da Mulher, comemorado em 8 de março, a oferta de bombons, rosas vermelhas, perfumes e outros presentes considerados “femininos” aumenta consideravelmente. Porém, mais do que uma data comercial, o Dia Internacional da Mulher nasceu como um protesto contra a opressão feminina, proposto em 1910 por Clara Zétkin e Rosa de Luxemburgo, na 2ª Conferência Internacional de Mulheres Socialistas, em Copenhague

“A data representa a luta das mulheres por igualdade social, política e no mercado de trabalho, mas acabou sendo comercializada e banalizada. Muitas vezes, as propagandas veiculadas nesse dia acabam sendo extremamente depreciativas e abafam a discussão da desigualdade de gêneros”, atenta Lourdes Bandeira, socióloga da Universidade de Brasília e Secretária-Executiva da Secretaria de Política para as Mulheres.

Gentileza ou machismo?

A linha que separa o que é gentil do que é machista nas homenagens no Dia Internacional da Mulher se torna tênue à medida em que muitas das mensagens e presentes direcionados às mulheres acabam reforçando estereótipos ou comemorando uma situação de igualdade e empoderamento que, na realidade, ainda não existe por completo.

“A gentileza, a delicadeza e a generosidade podem acontecer a qualquer momento, não necessariamente dia 8 de março e não só para as mulheres, mas isso não pode tomar o lugar da discussão de que ainda temos muitas reivindicações pela frente. Não são atos negativos, exceto quando nos discriminam e reforçam um padrão único de mulher”, completa Lourdes Bandeira.

Exemplos de discriminação e sugestões de presentes que passam longe da gentileza são, por exemplo, as homenagens que tentam enaltecer qualidades tidas como obrigatoriamente femininas: delicadeza, esmero, beleza, fragilidade, vaidade, entre outras, que acabam padronizando as mulheres dentro de um ideal que precisa ser quebrado.

“Mesmo sem maldade, a pessoa pode acabar contribuindo para esvaziar o sentido da data. É importante retomar a importância da luta pelos nossos direitos, justamente para conscientizar as pessoas de que ela não existe para dar flores e presentes, nem para homenagear a beleza e a feminilidade”, acredita Aline Valek, escritora e feminista.

Rosas, chocolates e perfumes, por exemplo, são apenas presentes e não precisam ser encarados como atitudes machistas, mas não estão isentos da culpa. “Na verdade, o presente é um ato inconsequente. Não vou recusar rosas e chocolates, mas a questão é que sempre caem no clichê de nos parabenizar por sermos mulheres. Nas propagandas, a nossa luta se resume a encontrar a chave no meio da bolsa, a suportar a TPM e andar de salto alto”, afirma Lola Aronovich.

No fundo, os presentes e homenagens carregam uma intenção subjetiva. “Ao dar uma escova de cabelos, por exemplo, você está colocando a mulher em um estereótipo: a mulher feminina precisa ter o cabelo bem cuidado”, ilustra Lourdes Bandeira. Segundo ela, vale ainda outro exemplo, o de presentear a mulher com eletrodomésticos. “Remete ao estereótipo da dona de casa”, completa. Fica ainda pior quando a tentativa das propagandas ou mensagens é colocar a mulher no papel de heroína: mesmo sendo bem-sucedida profissionalmente, ela não deve “deixar de lado os cuidados com a casa, família e beleza”.

Celebrar e lutar

Aos poucos, alguns aspectos da desigualdade entre mulheres e homens vão sendo desconstruídos para dar lugar a uma sociedade com mais oportunidades e direitos iguais. O Dia Internacional da Mulher representa a luta por essa desconstrução, que não acontece em apenas um dia do ano, e sim ao longo dele. É uma data para recordar que ainda existe um longo caminho pela frente, mas também para celebrar as conquistas adquiridas até então.

Embora existam conquistas e avanços para comemorar, muitas coisas ainda precisam mudar para que o 8 de março seja, exclusivamente, um dia de celebração. Uma delas, de extrema urgência, é o feminicídio – pelo menos 15 mulheres são mortas por dia no Brasil vítimas de companheiros ou ex-companheiros, de acordo com os dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplica.

“Ainda estamos numa situação péssima, ganhamos salários inferiores em relação aos homens, na mesma profissão e com o mesmo grau de escolaridade, fora outras situações de desigualdade. Por isso, é importante que seja um dia de reivindicações, para exigir que nossos direitos sejam respeitados”, ressalta Lola Aronovich, professora universitária e ativista feminista.

“Nós precisamos discutir todos os dias a violência, a diferença salarial, por que a mídia ainda nos estereotipa, porque a sensualização e a objetificação sempre nos atinge e nos desqualifica. Nesse dia, discussão deve ter ainda mais força”, alerta Lourdes Bandeira. O que percebo, felizmente, é que está havendo uma melhora, independente da condição socioeconômica das mulheres. Elas estão se engajando cada vez mais para derrubar essa cultura completamente desqualificadora”, completa.

Fonte: Delas

A origem operária do 8 de Março, o Dia Internacional da Mulher


Para muitos, o 8 de Março é apenas um dia para dar flores e fazer homenagens às mulheres. Mas diferentemente de diversas outras datas comemorativas, esta não foi criada pelo comércio. Oficializado pela Organização das Nações Unidas em 1975, o chamado Dia Internacional da Mulher era celebrado muito tempo antes, desde o início do século 20. E se hoje a data é lembrada como um pedido de igualdade de gênero e com protestos ao redor do mundo, no passado nasceu principalmente de uma raiz trabalhista.

Foram as mulheres das fábricas nos Estados Unidos e em alguns países da Europa que começaram uma campanha dentro do movimento socialista para reivindicar seus direitos - as condições de trabalho delas eram ainda piores do que as dos homens à época. A origem da data escolhida para celebrar as mulheres tem algumas explicações históricas. No Brasil, é muito comum relacioná-la ao incêndio ocorrido em 25 de março de 1911 na Companhia de Blusas Triangle, quando 146 trabalhadores morreram, sendo 125 mulheres e 21 homens (a maioria judeus). No entanto, há registros anteriores a essa data que trazem referências à reivindicação de mulheres para que houvesse um momento dedicado às suas causas.

As origens 

Se fosse possível fazer uma linha do tempo dos primeiros "dias das mulheres" que surgiram no mundo, ela começaria possivelmente com a grande passeata das mulheres em 26 de fevereiro de 1909, em Nova York. Naquele dia, cerca de 15 mil mulheres marcharam nas ruas da cidade por melhores condições de trabalho - na época, as jornadas para elas poderiam chegar a 16h por dia, seis dias por semana e, não raro, incluíam também os domingos. Ali teria sido celebrado pela primeira vez o "Dia Nacional da Mulher". Enquanto isso, na Europa também crescia o movimento nas fábricas. Em agosto de 1910, a alemã Clara Zetkin propôs em reunião da Segunda Conferência Internacional das Mulher.

"Não era uma questão de data específica. Ela fez declarações na Internacional Socialista com uma proposta para que houvesse um momento do movimento sindical e socialista dedicado à questão das mulheres", explicou à BBC Brasil a socióloga Eva Blay, uma das pioneiras nos estudos sobre os direitos das mulheres no país.

"A situação da mulher era muito diferente e pior do que a dos homens nas questões trabalhistas daquela época", disse ela, que é coordenadora da USP Mulheres. 

A proposta de Zetkin, segundo os registros que se têm hoje, propunha uma jornada anual de manifestações das mulheres pela igualdade de direitos, sem exatamente determinar uma data. 

O primeiro dia oficial da mulher seria celebrado, então, em 19 de março de 1911.

Em 1917, houve um marco ainda mais forte daquele que viria a ser o 8 de Março. Naquele dia, um grupo de operárias saiu às ruas para se manifestar contra a fome e a Primeira Guerra Mundial, movimento que seria o pontapé inicial da Revolução Russa.

O protesto aconteceu em 23 de fevereiro pelo antigo calendário russo - 8 de março no calendário gregoriano, que os soviéticos adotariam em 1918 e é utilizado pela maioria dos países do mundo hoje.

Após a revolução bolchevique, a data foi oficializada entre os soviéticos como celebração da "mulher heroica e trabalhadora".

Oficialização 

O chamado "Dia Internacional da Mulher" só foi oficializado em 1975, ano que a ONU intitulou de "Ano Internacional da Mulher" para lembrar suas conquistas políticas e sociais.

"Esse dia tem uma importância histórica porque levantou um problema que não foi resolvido até hoje. A desigualdade de gênero permanece até hoje. As condições de trabalho ainda são piores para as mulheres", pontuou Eva Blay.

"Já faz mais de cem anos que isso foi levantado e é bom a gente continuar reclamando, porque os problemas persistem. Historicamente, isso é fundamental."

No mundo inteiro, a data ainda é comemorada, mas ao longo do tempo ganhou um aspecto "comercial" em muitos lugares.

O dia 8 de março é considerado feriado nacional em vários países, como a própria Rússia, onde as vendas nas floriculturas se multiplicam nos dias que antecedem a data, já que homens costumam presentear as mulheres com flores na ocasião.

Na China, as mulheres chegam a ter metade do dia de folga no 8 de Março, conforme é recomentado pelo governo - mas nem todas as empresas seguem essa prática.

Já nos Estados Unidos, o mês de março é um mês histórico de marchas das mulheres.

No Brasil, a data também é "comemorada" com protestos em todas as principais cidades do país, com reivindicações sobre igualdade salarial e protestos contra a criminalização do aborto e a violência contra a mulher.

"Certamente o 8 de Março é um dia de luta, dia para lembrarmos que ainda há muitos problemas a serem resolvidos, como os da violência contra a mulher, do feminicídio, do aborto, e da própria diferença salarial", observou Blay.

Segundo ela, mesmo passadas décadas de protestos das mulheres e de celebração do 8 de Março, a evolução ainda foi muito pequena.

"Acho que o que evoluiu é que hoje a gente consegue falar sobre os problemas. Antes, se escondia isso. Tudo ficava entre quatro paredes. Antes, esses problemas eram mais aceitos, hoje não."