PROJETO TV RAÍZES

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domingo, 17 de junho de 2018

Estão abertas as inscrições para o Projeto Arte e Vida no Bairro do DNER


A partir da presente data, estão abertas as inscrições para o Projeto Arte e Vida no Bairro do DNER.

O Projeto é fruto de uma parceria entre a Diocese de Floresta, a Paróquia de Floresta,a Comunidade do DNER e o Instituto Cultural Raízes (que será responsável pela execução das atividades).

O Projeto atenderá crianças/adolescentes, jovens, mulheres e homens da comunidade, com a realização de oficinas de percussão, danças, artesanatos e culinária, entre outras, fundamentado na construção da identidade sócio cultural e a formação para a cidadania.

Para se inscrever, as pessoas interessadas devem procurar adquirir a Ficha de Inscrição com Carlene e a equipe local da Comunidade.

A previsão para início das oficinas é meados de julho, a partir da formação das turmas e dos preparativos que estão sendo encaminhados.

O Projeto ARTE E VIDA, tem como objetivo principal Promover a valorização da vida, a partir da construção da identidade sócio-cultural e da formação para a cidadania.

São também objetivos do Projeto:


– promover a vivência das expressões culturais de origem afro-brasileira e indígena, através da música, da dança e das artes, na perspectiva (inclusive) da geração de renda alternativa;
– incentivar a construção da identidade sócio-cultural, como forma de compreensão da realidade, a partir do local/comunidade/território e de formação para cidadania plena e ativa;
- colaborar para a construção de projetos de vida, baseado nos valores humanos de uma sociedade fraterna e igualitária;
– contribuir para a eliminação do preconceito e da discriminação racial.

Instituto Raízes se reúne com o Provida para debater parcerias


No último sábado dia 16 de junho de 2018, a Diretoria do Instituto Cultural Raízes, recebeu em sua sede a representação da Ong Provida, através do Padre Luciano e Cláudia.

O objetivo da reunião foi debater sobre a necessidade do Provida em utilizar a Quadra Poliesportiva do Vulcão (Bairro Escondidinho), tendo em vista que irão iniciar um trabalho com crianças da Escola Municipal do DNER e não dispõe de local, haja vista que no Bairro do DNER não tem Quadra Poliesportiva.

O diálogo também transcorreu na possibilidade das duas instituições promoverem algumas ações em parceria, o que ficou para ser amadurecido posteriormente.

Quanto a utilização da Quadra ficou acertado que ocorrerá nas segundas e sextas feiras, conforme quadro abaixo:


Nessa segunda-feira dia 18, acontecerá a abertura das atividades do Provida em evento que será na Quadra do Vulcão, e o início da utilização do espaço ocorrerá a partir do dia 25.

Para a Comunidade do Escondidinho/Vulcão será mais uma oportunidade de mostrar sua hospitalidade e acolhimento para com as pessoas de outras comunidades e em especial o DNER onde já se apresenta uma relação de proximidade que resultará em experiências positivas a serem vivenciadas conjuntamente.

segunda-feira, 11 de junho de 2018

Governo Federal facilita o trabalho escravo no Brasil


No último dia 16, o atual governo aplicou mais um golpe contra os trabalhadores de nosso país.

Trata-se da publicação da Portaria 1.129 do Ministério do Trabalho, que altera as regras para inclusão de nomes de pessoas e empresas na “lista suja”, além dos conceitos sobre o que é trabalho forçado, degradante e trabalho em condição análoga à escravidão. Até então, fiscais usavam conceitos da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e do Código Penal. 

De acordo com o artigo 149 do Código, quem submete alguém a realizar trabalhos forçados ou a jornada exaustiva, quer sujeitando-o a condições degradantes de trabalho, quer restringindo, por qualquer meio, sua locomoção em razão de dívida, está sujeito a pena de dois a oito anos de prisão e multa.

O Brasil era (até então) considerado referência mundial no combate à escravidão moderna. Mas, depois das novas diretrizes, isso pode mudar.

Essa famigerada portaria, além de ser completamente inconstitucional, representa um retrocesso nos avanços alcançados ao longo de décadas no mundo todo.

Tal iniciativa visa agradar os setores ruralistas, como forma desesperada de garantir votos no congresso, que venham a livrar o "governo" golpista de mais uma denúncia, de chefia de uma quadrilha criminosa. Além disso, aprofunda a crise social em que estamos vivendo.

Recordemos que as seguidas agressões contra os trabalhadores ocasionaram perdas de direitos históricos, conquistados através de muita luta social, à exemplo da terceirização sem limites, da reforma trabalhista e da precarização da mão de obra, que aumentam o desemprego e expõem os trabalhadores a situação cada vez mais propícia a serem tratados como escravos.

Em 1995, quando o governo brasileiro reconheceu que havia casos de trabalho análogo ao escravo no país, foi criado um grupo de fiscalização. E essa fiscalização adquiriu uma experiência ao longo dos anos de situações que ocorriam comumente no Brasil. 

Essa escravização hoje ocorre do aumento do desemprego e a necessidade de deslocamento para conseguir se inserir no mercado de trabalho. Enganados com falsas promessas, muitas dessas pessoas acabam se submetendo a trabalhos análogos a escravidão, com condições indignas de trabalho, apenas para sobreviver. Essa Portaria retrocede o conceito de trabalho como algo anterior a própria abolição.


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ZUMBI DOS PALMARES



Zumbi dos Palmares nasceu no ano de 1655. Foi o principal representante da resistência negra à escravidão na época do Brasil Colonial. Foi líder do Quilombo dos Palmares, comunidade livre formada por escravos fugitivos dos engenhos, índios e brancos pobres expulsos das fazendas. 

O Quilombo dos Palmares estava localizado na região da Serra da Barriga, que atualmente faz parte do município de União dos Palmares (Alagoas). Na época em que Zumbi era líder, o Quilombo dos Palmares alcançou uma população de aproximadamente trinta mil habitantes. 

Nos quilombos, os negros viviam livres de acordo com sua cultura, produzindo tudo o que precisavam para viver. Embora tenha nascido livre, foi capturado quando tinha por volta de sete anos de idade. Entregue ao padre jesuíta católico Antônio Melo, recebeu o batismo e ganhou o nome de Francisco. 

Aprendeu a língua portuguesa, latim, álgebra e a religião católica, chegando a ajudar o padre na celebração de missas. Porém, aos 15 anos de idade, fugiu de Porto Calvo para viver no quilombo dos Palmares. Na comunidade, deixou de ser Francisco para ser chamado de Zumbi que no dialeto da tribo imbangala de Angola, significa aquele que estava morto e reviveu. 

No ano de 1675, o quilombo é atacado por soldados portugueses. Zumbi ajuda na defesa e destaca-se como um grande guerreiro. Após um batalha sangrenta, os soldados portugueses são obrigados a retirar-se para a cidade de Recife. Três anos após, o governador da província de Pernambuco aproxima-se do líder Ganga Zumba para tentar um acordo, Zumbi coloca-se contra o acordo.

Em 1680, com 25 anos de idade, Zumbi torna-se líder do quilombo dos Palmares, comandando a resistência contra as tropas do governo. Durante sua “liderança” a comunidade cresce e se fortalece, obtendo várias vitórias contra os soldados portugueses. O líder Zumbi mostra grande habilidade no planejamento e organização dos quilombos, além de coragem e conhecimentos militares.

O bandeirante e mercenário Domingos Jorge Velho organiza no ano de 1694, um grande ataque ao Quilombo dos Palmares. Após uma intensa batalha, Macaco, a sede do quilombo, é totalmente destruída. Ferido, Zumbi consegue fugir, porém é traído por um antigo companheiro e entregue as tropas do bandeirante. Aos 40 anos de idade, foi degolado em 20 de novembro de 1695. 

Zumbi é considerado um dos grandes líderes de nossa história. Símbolo da resistência e luta do povo negro contra a escravidão, lutou pela liberdade de culto, religião e pratica da cultura africana no Brasil Colonial. O dia de sua morte, 20 de novembro, é lembrado e comemorado em todo o território nacional como o Dia Nacional da Consciência Negra.

sábado, 9 de junho de 2018

A Definição da Consciência Negra

STEVE BIKO
Redigido provavelmente em dezembro de 1971, este escrito destinava-se a um curso de treinamento para lideranças da SASO, incluído aqui como um exemplo do que Steve dizia aos membros de sua própria organização, portanto do que brotava do cerne de sua própria experiência e da deles.


Escrevo o que eu quero.


A definição da Consciência Negra


Em nosso manifesto político definimos os negros como aqueles que, por lei ou tradição, são discriminados política, econômica e socialmente como um grupo na sociedade sul-africana e que se identificam como uma unidade na luta pela realização de suas aspirações. Tal definição manifesta para nós alguns pontos:

1- Ser negro não é uma questão de pigmentação, mas o reflexo de uma atitude mental;
2- Pela mera descrição de si mesmo como negro, já se começa a trilhar o caminho rumo à emancipação, já se esta comprometido com a luta contra todas as forças que procuram usar a negritude como um rótulo que determina subserviência.

A partir dessas observações, portanto, vemos que a expressão negro não é necessariamente abrangente, ou seja, o fato de sermos todos não brancos não significa necessariamente que todos somos negros. Existem pessoas não brancas e continuarão a existir ainda por muito tempo. Se alguém aspira ser branco, mas sua pigmentação o impede, então esse alguém é um não branco. Qualquer pessoa que chame um homem branco de “Baas” (“Senhor”, na língua africâner. Tratamento que os brancos exigem dos negros. N.T.), qualquer um que sirva na força policial ou nas Forças de Segurança é, ipso facto, um não branco. Os negros – os negros verdadeiros – são os que conseguem manter a cabeça erguida em desafio, em vez de entregar voluntariamente sua alma ao branco.

Assim, numa breve definição, a Consciência Negra é, em essência, a percepção pelo homem negro da necessidade de juntar forças com seus irmãos em torno da causa de sua atuação – a negritude de sua pele – e de agir como um grupo, a fim de se libertarem das correntes que os prendem em uma servidão perpétua. Procura provar que é mentira considerar o negro uma aberração do “normal”, que é ser branco. É a manifestação de uma nova percepção de que, ao procurar fugir de si mesmos e imitar o branco, os negros estão insultando a inteligência de quem os criou negros. Portanto, a Consciência Negra toma conhecimento de que o plano de Deus deliberadamente criou o negro, negro. Procura infundir na comunidade negra um novo orgulho de si mesma, de seus esforços, seus sistemas de valores, sua cultura, religião e maneira de ver a vida.

A inter-relação entre a consciência do ser e o programa de emancipação é de importância primordial. Os negros não mais procuram reformar o sistema, porque isso implica aceitar os pontos principais sobre os quais o sistema foi construído. Os negros se acham mobilizados para transformar o sistema inteiro e fazer dele o que quiserem. Um empreendimento dessa importância só pode ser realizado numa atmosfera em que as pessoas estejam convencidas da verdade inerente à sua condição. Portanto, a libertação tem importância básica no conceito de consciência Negra, pois não podemos ter consciência do que somos e ao mesmo tempo permanecermos em cativeiro. Queremos atingir o ser almejado, um ser livre.

O movimento em direção à Consciência Negra é um fenômeno que vem se manifestando em todo o chamado Terceiro Mundo. Não há dúvidas de que a discriminação contra o negro em todo o planeta tem origem na atitude de exploração, por parte do homem branco. Através da História, a colonização de países brancos pelos brancos resultou, na pior das hipóteses, numa simples fusão cultural ou geográfica, ou, na melhor, no abastardamento da linguagem. É verdade que a história das nações mais fracas é moldada pelas nações maiores, mas em nenhum lugar do mundo atual vemos brancos explorando brancos numa escala ainda que remotamente semelhante ao que ocorre na África do Sul. Por isso somos forçados a concluir que a exploração dos negros não é uma coincidência. Foi um plano deliberado que culminou no fato de até mesmo os chamados países independentes negros não terem atingido uma independência real.

Com esse contexto em mente, temos de acreditar então que essa é uma questão de possuir ou não possuir, em que os brancos foram deliberadamente determinados como os que possuem, e os negros os que não possuem. Entre os brancos na África do Sul, por exemplo, não existe nenhum trabalhador no sentido clássico, pois até mesmo o trabalhador branco mais oprimido tem muito a perder se o sistema for mudado. No trabalho, várias leis o protegem de uma competição por parte da maioria. Ele tem o direito de voto e o utiliza para eleger o governo nacionalista, uma vez que os considera os únicos que, por meio das leis de reserva de empregos, se esforçam em cuidar de seus interesses contra uma competição por parte dos “nativos”.

Devemos então aceitar que uma análise de nossa situação em termos da cor das pessoas desde logo leva em conta o determinante único da ação política – isto é, a cor – ao mesmo tempo que descreve, com justiça, os negros como os únicos trabalhadores reais na África do Sul. Essa análise elimina de imediato todas as sugestões de que algum dia pode haver um relacionamento efetivo entre os verdadeiros trabalhadores, ou seja, os negros, e os trabalhadores brancos privilegiados, já que mostramos que estes últimos são os maiores sustentáculos do sistema. Na verdade o governo permitiu que se desenvolvesse entre os brancos uma atitude anti-negro tão perigosa que ser negro é considerado quase um pecado, e por isso os brancos pobres – que economicamente são os que estão mais próximos dos negros – assumiram uma postura extremamente reacionária em relação a eles, demonstrando a distância existente entre os dois grupos. Assim, o sentimento antinegro mais forte se encontra entre os brancos muito pobres, a quem a teoria de classes convoca para se unirem aos negros na luta pela emancipação. É esse tipo de lógica tortuosa que a abordagem da Consciência Negra procura erradicar.

Para a abordagem da Consciência Negra, reconhecemos a existência de uma força principal na África do Sul. Trata-se do racismo branco. Essa é a única força contra a qual todos nós temos de lutar. Ela opera com uma abrangência enervante, manifestando-se tanto na ofensiva quanto em nossa defesa. Até hoje seu maior aliado vem sendo nossa recusa em nos reunirmos em grupo, como negros, pois nos disseram que essa atitude é racista. Desse modo, enquanto nos perdemos cada vez mais num mundo incolor, com uma amorfa humanidade comum, os brancos encontram prazer e segurança em fortalecer o racismo branco e explorar ainda mais a mente e o corpo da massa de negros que não suspeitam de nada. Os seus agentes se encontram sempre entre nós, dizendo que é imoral nos fecharmos num casulo, que a resposta para nosso problema é o diálogo e que a existência do racismo branco em alguns setores é uma infelicidade, mas precisamos compreender que as coisas estão mudando. Na realidade esses são os piores racistas, porque se recusam a admitir nossa capacidade de saber o que queremos. Suas intenções são óbvias: desejam fazer o papel do barômetro pelo qual o resto da sociedade branca pode medir os sentimentos do mundo negro. Esse é o aspecto que nos faz acreditar na abrangência do poder branco, porque ele não só nos provoca, como também controla nossa resposta a essa provocação. Devemos prestar muita atenção neste ponto, pois muitas vezes passa despercebido para os que acreditam na existência de uns poucos brancos bons. Certamente há uns poucos brancos bons, do mesmo modo que há uns poucos negros maus.

Mas o que nos interessa no momento são atitudes grupais e a política grupal. A exceção não faz com que a regra seja mentirosa – apenas a confirma.

Portanto, a análise global, baseada na teoria hegeliana do materialismo dialético, é a seguinte: uma vez que a tese é um racismo branco, só pode haver uma antítese válida, isto é, uma sólida unidade negra para contrabalançar a situação. Se a África do Sul deve se tornar um país em que brancos e negros vivam juntos em harmonia, sem medo da exploração por parte de um desses grupos, esse equilíbrio só acontecerá quando os dois opositores conseguirem interagir e produzir uma síntese viável de idéias e um modus vivendi. Nunca podemos empreender nenhuma luta sem oferecer uma contrapartida forte às raças brancas que permeiam nossa sociedade de modo tão efetivo.

Precisamos eliminar de imediato a idéia de que a Consciência Negra é apenas uma metodologia ou um meio para se conseguir um fim. O que a consciência Negra procura fazer é produzir, como resultado final do processo, pessoas negras de verdade que não se considerem meros apêndices da sociedade branca. Essa verdade não pode ser revogada. 

Não precisamos pedir desculpas por isso, porque é verdade que os sistemas brancos vêm produzindo em todo mundo grande número de indivíduos sem consciência de que também são gente. Nossa fidelidade aos valores que estabelecemos para nós mesmo também não pode ser revogada, pois sempre será mentira aceitar que os valores brancos são necessariamente os melhores. Chegar a uma síntese só é possível com a participação na política de poder. Num dado momento, alguém terá que aceitar a verdade, e aqui acreditamos que nós é que temos a verdade.

No caso de os negros adotarem a Consciência Negra, o assunto que preocupa principalmente os iniciados é o futuro da África do Sul. O que faremos quando atingirmos nossa consciência? Será que nos propomos a chutar os brancos para fora do país? Eu pessoalmente acredito que deveríamos procurar as respostas a essas perguntas no Manifesto Político da SASO e em nossa análise da situação da África do Sul. Já definimos o que para nós significa uma integração real, e a própria existência de tal definição é um exemplo de nosso ponto de vista. De qualquer modo, nos preocupamos mais com o que acontece agora que com o que acontecerá no futuro. O futuro sempre será resultado dos acontecimentos presentes.

Não se pode subestimar a importância da solidariedade dos negros com relação aos vários segmentos da comunidade negra. No passado houve muitas insinuações de que uma unidade entre negros não era viável porque eles se desprezam um ao outro. Os mestiços desprezam os africanos porque, pela proximidade com esses últimos, podem perder a oportunidade de serem assimilados pelo mundo branco. Os africanos desprezam os mestiços e os indianos por várias razões. Os indianos não só desprezam os africanos mas, em muitos caso, também os exploram em situações de trabalho e de comércio. Todos esses estereótipos provocam uma enorme desconfiança entre os grupos negros.

O que se deve ter sempre em mente é que:

1. Somos todos oprimidos pelo mesmo sistema;
2. Ser oprimidos em graus diferentes faz parte de um propósito deliberado para nos dividir não apenas socialmente, mas também com relação às nossas aspirações;
3. Pelo motivo citado acima, é preciso que haja uma desconfiança em relação aos planos do inimigo e, se estamos igualmente comprometidos com o problema da emancipação, faz parte de nossa obrigação chamar a atenção dos negros para esse propósito deliberado;
4. Devemos continuar com nosso programa, chamando para ele somente as pessoas comprometidas e não as que se preocupam apenas em garantir uma distribuição eqüitativa dos grupos em nossas fileiras.Esse é um jogo comum entre os liberais. O único critério que deve governar toda nossa ação é o compromisso.

Outras preocupações da Consciência Negra dizem respeito às falsas imagens que temos de nós quanto aos aspectos culturais, educacionais, religiosos e econômicos. Não devemos subestimar essa questão. Sempre existe uma interação entre a história de um povo, ou seja, seu passado, e a fé em si mesmo e a esperança em seu futuro. Temos consciência do terrível papel desempenhado por nossa educação e nossa religião, que criaram entre nós uma falsa compreensão de nós mesmos. Por isso precisamos desenvolver esquemas não apenas para corrigir essa falha, como também para sermos nossas próprias autoridades, em vez de esperar que os outros nos interpretem. Os brancos só podem nos enxergar a partir de fora e, por isso, nunca conseguirão extrair e analisar o etos da comunidade negra. Assim, e para resumir, peço a esta assembléia que procure o Manifesto Político da SASO, que apresenta os pontos principais da Consciência Negra. 

Quero enfatizar novamente que temos de saber com muita nitidez o que queremos dizer com certas expressões e qual o nosso entendimento quando falamos de Consciência Negra.

Datas Históricas - A Cabanagem


Os Cabanos Tomam o poder no Pará - 1834 a 1839: A Cabanagem

A luta pela independência contou, no Pará, com uma grande participação popular. Depois da independência veio a decepção. As mudanças prometidas não se realizavam. O povo lutou por melhores condições de vida, menos impostos e mais liberdade. Nada disso acontecia. A saída foi a rebelião.
No dia 6 de janeiro de 1845, depois de muitas lutas no campo, os cabanos ocupam a cidade de Belém, capital do Pará. Foi a única revolução popular que chegou a governar uma província naquela época.
Foi preciso vir reforço do governo central para acabar com o governo dos cabanos. Derrotados na capital, se refugiaram nos campos e aldeias, onde resistiram até 1939. Só o incêndio, a destruição e o massacre de populações inteiras, foram capazes de abafar essa Revolução Popular.
O nome de cabano vem do fato de viverem em cabanas.

Dia da Liberdade de Cultos


No dia 7 de janeiro, comemora-se o Dia da Liberdade de Cultos, num país com tanta diversidade etnica e racial (como é o Brasil) e, com um intenso multiculturalismo, nada é mais importante do que a palavra Liberdade.

A liberdade de culto e o respeito por outras religiões é uma das condições indispensáveis para se viver de forma pacífica.

A primeira Lei sobre o assunto surgiu em 7 de janeiro de 1890 (daí a data comemorativa), em decreto assinado pelo então presidente Marechal Deodoro, por iniciativa do gaúcho Demétrio Ribeiro, Ministro da Agricultura na época.

Na Constituição de 1946, através de proposta do escritor Jorge Amado, então deputado federal pelo Partido Comunista Brasileiro (PCB), a lei foi novamente reescrita, mas foi na Constituição de 1988 que adquiriu seus termos definitivos:

Artigo 5º:
(...)
VI - é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias;
(...)
VIII - ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política, salvo se as invocar para eximir-se de obrigação legal a todos imposta e recusar-se a cumprir prestação alternativa, fixada em lei;
 

Além de estar legalmente amparada, a liberdade de culto deve ser entendida como um direito universal e fundamental de respeito a individualidade e a liberdade de escolha do ser humano.

Por princípio, a Bíblia, o Alcorão, a cabala, os fundamentos do Candomblé, da umbanda, do xamanismo, o budismo, a doutrina espírita e tantas outras formas de expressão da religiosidade e tradição dos povos, tem a função de conectar o ser humano à energia criadora com a finalidade de despertar sua consciência.

Então: Axé, Amém, Saravá, Shalom, Namastê, Aleluia, Salamaleico e que viva o respeito à Liberdade de Cultos!

Lei 10.639/03


No dia 09 de janeiro de 2018, completou-se 15 anos da criação da Lei 10.639/03, que estabelece a obrigatoriedade do ensino de História e Cultura Afrobrasileira, onde deve-se abordar o estudo da África e dos africanos, a luta dos negros no Brasil, a cultura negra brasileira e o negro na formação de nossa sociedade, resgatando a contribuição do povo negro nas áreas social, econômica, política e cultural, pertinentes à História do Brasil.

A lei também estabelece que o ensino é obrigatório em todas as escolas de ensino fundamental e médio, das redes pública e privada, cujo conteúdo deve ser trabalhado em todo o currículo escolar, especialmente, nas áreas de Educação Artística, Literatura e História Brasileira.

Outro fator de grande importância é que a Lei também estabelece o dia 20 de novembro, como DIA NACIONAL DA CONSCIÊNCIA NEGRA, em homenagem a Zumbi dos Palmares, como símbolo maior dos negros em suas lutas por libertação da escravidão e por conquistas sociais.

Posteriormente, em 10 de março de 2008, foi promulgada a Lei 11.645, que amplia também  para o ensino da cultura indígena, destacando à contribuição dos povos indígenas na formação de nossa sociedade.

Ambas leis, tem uma imensa importância no processo de resgate histórico das tradições dos povos afrobrasileiros e indígenas, e são ações afirmativas concretas no sentido de combater e eliminar o preconceito e a discriminação racial, existentes em nosso país.

Lamentavelmente, (à exemplo de outras leis brasileiras que beneficiariam os setores sociais marginalizados e excluídos) a maioria das escolas públicas e quase a totalidade das escolas particulares não cumprem a lei, seja pela falta de preparo de professores, seja por falta de conhecimento, ou ainda por total falta de interesse.

Se faz necessário ações concretas que envolvam os segmentos governamentais no sentido de fazer valer a lei e, principalmente dos seguimentos sociais e educacionais, de promoverem uma mobilização e somatório de esforços e conhecimentos, no sentido de colocar em prática nas escolas, de forma ampla e total o ensino da história e cultura afrobrasileira e indígena. 

Instituto Raízes avalia atuação em Floresta e região

Libânio Neto, Fundador e Diretor Presidente do Instituto Raízes

Com praticamente fechado o primeiro semestre de 2018, o Instituto Cultural Raízes realiza uma avaliação completa sobre a atuação nos últimos 8 anos em Floresta e região.

Nesse processo de avaliação, nosso site irá ouvir várias pessoas que se destacam nessa caminhada do Instituto Raízes, iniciando pelo nosso Fundador e Diretor Presidente, Libânio Neto. 

A entrevista está divida em duas partes. Na primeira, Libânio Neto fala do surgimento do Instituto, dos seus objetivos, de como se mantém a ONG e qual é o trabalho desenvolvido em Floresta e região.

O surgimento do Instituto Raízes

O que é o Instituto Cultural Raízes?
Libânio Neto: O Instituto Cultural Raízes é uma organização não-governamental, formada com caráter de associação civil de direito privado e sem fins lucrativos. Totalmente legalizada, com registro em cartório e funcionamento efetivo e permanente, tendo sido reconhecido como de Utilidade Pública Municipal pela Lei nº 529/2014.

Como surgiu o Instituto Cultural Raízes?
Libânio Neto: O Instituto Cultural Raízes é o resultado de um trabalho que havíamos iniciado na zona da mata sul de Pernambuco e mais especialmente no município de Água Preta no período de 2001 a 2006. A partir de 2007, passamos a desenvolver várias experiências no sertão pernambucano, até chegar a Floresta e região de Itaparica.

Há quanto tempo o Instituto Cultural Raízes atua em Floresta?
Libânio Neto: Na verdade, atuamos em Floresta desde agosto de 2009. E já em 2010 instalamos a sede aqui no município, após avaliarmos o potencial multicultural existente na região.

Objetivos do Instituto Raízes

Quais são os objetivos do Instituto?
Libânio Neto: Nosso principal objetivo é promover o resgate e a valorização das tradições culturais afrobrasileiras e indígenas, como forma de desenvolvimento da identidade sócio-cultural, bem como a formação para o exercício da cidadania plena e ativa. Para tanto desenvolvemos uma série de atividades, ações e projetos, conforme estabelece os Estatutos Sociais da entidade.

O início do trabalho desenvolvido em Floresta

Quais foram as primeiras ações desenvolvidas pelo Instituto em Floresta?
Libânio Neto: Iniciamos com a realização de um levantamento cultural e depois a realização da 1ª Semana da Consciência Negra e um documentário realizado por ocasião do Festival Pernambuco Nação Cultural em novembro de 2009. A partir daí concentramos nossa atuação no resgate e preservação das tradições culturais do povo florestano, vinculado à cultura popular do sertão e do Estado.
Atuamos também na assessoria em Floresta e em outros municípios para a realização de Conferências de Cultura, bem como na elaboração de projetos para grupos de jovens e entidades organizadas.
Posteriormente, iniciamos um trabalho para a organização das comunidades quilombolas, que acabou se expandindo e tomando grandes proporções.

Atividades mais destacadas

Neste período de 8 anos quais os trabalhos que mais se destacaram?
Libânio Neto: Em primeiro lugar o trabalho que realizamos junto às comunidades quilombolas que resultou na publicação de um livro, produção de documentário e na criação de diversos grupos culturais como a Banda de Pífano, Grupo de Dança da Mazurca, Grupo Flor do Pajeú composto de crianças quilombolas, entre outras ações que foram desenvolvidas visando o resgate dos elementos históricos e tradicionais e a organização formal das comunidades através da criação de associações.
Além disto, realizamos cinco Encontros de Tradições Culturais nas Comunidades Rurais de Floresta, onde destacamos o Forró Pé-de-Serra, a dança do São Gonçalo, a capoeira, maculelê, caboclinho, ciranda, coco de roda, afoxé e maracatu, que são tradições das culturas negra e indígena, além de expressões de nossa cultura popular.
Investimos na formação de grupos culturais compostos de crianças, adolescentes e jovens.
É também marca de nosso trabalho a realização de oficinas permanentes de percussão, danças, artesanato, pintura em tela, violão, capoeira, entre outras, cujo público preferencial tem sido às crianças, adolescentes, jovens e remanescentes quilombolas e indígenas.
Destaca-se sobretudo nos últimos anos o trabalho realizado na Comunidade do Bairro do Escondidinho/Vulcão em Floresta, onde foi possível promover uma completa inclusão social e formação para cidadania, que deu resultados positivos.

Onde mais atua o Instituto Raízes

O Instituto atua somente em Floresta?
Libânio Neto: Não. No nosso estatuto está estabelecido que podemos atuar em qualquer outro município de Pernambuco, muito embora nossa prioridade seja Floresta e região.
Em 2009, antes de iniciarmos o trabalho em Floresta já vínhamos realizando atividades nos municípios de Mirandiba e Belém do São Francisco e atualmente nossa atuação tem se feito presente em vários municípios da região e de outras microregiões do sertão pernambucano, seja com oficinas, palestras, seminários e fóruns, seja com apresentações culturais.
Já em 2014 realizamos (em parceria com a Escola Estadual Maria Emília Cantarelli) o Projeto Mais Cultura nas Escolas em Belém do São Francisco, o qual foi concluído satisfatoriamente no final de 2016.

A manutenção do Instituto Raízes

Como se mantém o Instituto do ponto de vista financeiro?
Libânio Neto: A nossa manutenção é proveniente de contratos para oficinas, projetos, cachês de apresentações culturais, prestações de serviços que temos realizado em Floresta e em vários outros municípios. Outras formas tem sido doações, parcerias (especialmente com o Instituto da Juventude entre 2012 e 2016) e, a venda de materiais de divulgação, tais como: camisas, cd’s, dvd’s e livros.

Como é a aplicação desses recursos?
Libânio Neto: Os recursos são aplicados integralmente nas atividades para os quais são destinados. Se é proveniente de um contrato para prestação de serviços ou de um Projeto, às despesas são de locomoção, combustível, pagamento de oficineiros, compra de material de apoio, produção de material didático e aquisição de instrumentos.
Já os recursos provenientes de parcerias, apresentações, doações e vendagem de material, são aplicados em ajudas de custo/gratificações para os componentes dos grupos principais, apoio sócio-educativo aos(as) participantes, manutenção dos instrumentos, aluguel da sede e manutenção da mesma e na estruturação da entidade.

Instituto Raízes - um trabalho pioneiro e inovador

Libânio Neto, Fundador e Diretor Presidente do Instituto Raízes

Dando continuidade a entrevista com o nosso Fundador e Diretor Presidente, Libânio Neto, os temas abordados agora serão o caráter pioneiro e inovador do trabalho realizado pelo Instituto, os desafios e as conquistas.

Pioneirismo e Inovação

Porque caracterizar essa atuação do Instituto como algo pioneiro e inovador?
Libânio Neto: Temos dito em várias oportunidades que o trabalho que fazemos é pioneiro pelo fato de que fomos nós a iniciar uma experiência permanente, cotidiana e concreta, coisas que antes não havia em Floresta e região. Somos referência em Cultura Popular e sobretudo em Cultura Afrobrasileira. Não tem outro trabalho semelhante em toda a região do sertão de itaparica.
Dizemos também que é inovador pelo fato de que estamos trazendo a vivência de tradições culturais que estavam abandonadas ou desconhecidas por muita gente. 

Público participante

Quantas crianças e adolescentes participam atualmente dos projetos em Floresta?
Libânio Neto: Temos atendido de forma permanente (nas oficinas que realizamos) uma média de 50 crianças, adolescentes e jovens remanescentes quilombolas e indígenas que residem no bairro do Escondidinho/Vulcão, além de Santa Rosa, Cohab e Caetano. Em novembro de 2016, chegamos a reunir cerca de 80 crianças, adolescentes e jovens na celebração da Consciência Negra.
Por falta de condições financeiras, tivemos que reduzir várias atividades, o que determinou uma redução nos participantes nas atividades culturais.
Também mantemos a Escolinha de Futsal, que reúne na atualidade em torno de 30 crianças e adolescentes da Comunidade do Escondidinho.

Ritmos trabalhados

Quais os ritmos que são trabalhados nas oficinas culturais?
Libânio Neto: Trabalhamos (nas danças e também percussão) os ritmos que são de origem afro-brasileira e indígena, e os ritmos que celebram a mistura entre o negro e o índio, os quais são: capoeira, maculelê, afoxé, maracatu, coco de roda, samba de roda, mazurca, caboclinho, ciranda, xaxado e danças africanas. De todos os que tem maior ênfase são o Maracatu de Baque Virado, o Afoxé e o Coco de Roda.

Grupos Culturais mantidos pelo Instituto

Quais os grupos mantidos pelo Instituto Raízes?
Libânio Neto: Temos dois grupos percussivos com um bom tempo de caminhada. O Maracatu Afrobatuque que foi criado em 2011 e trabalha o ritmo do Maracatu de Baque Virado e o Filhos de N’Zambi, criado em 2012, que trabalha o ritmo do Afoxé. Além destes, criamos em 2016 o Grupo Sou da Terra, que reúne os ritmos do Maracatu, Afoxé, Coco, Samba, entre outros. Temos também o Grupo Dandara (grupo de danças afroindígena), o qual foi o primeiro grupo criado pelo Instituto em Floresta, no ano de 2010 e, estamos trabalhando a criação de um grupo percussivo de Samba Reggae.

Metodologia

Qual a metodologia adotada no trabalho?

Libânio Neto: Adotamos uma metodologia participativa, que estimula a capacidade e o potencial dos(as) integrantes, vinculando o aprendizado à construção da indentidade sócio cultural a partir das raízes históricas afrobrasileira e indígena. Buscamos estabelecer, através do diálogo permanente, uma relação entre o vivenciar cultural e a formação para a cidadania, consistindo sobretudo, em regras de participação, obrigatoriedade de estar frequentando à escola (se está em idade escolar), formas adequadas de comportamento pessoal e social e em especial nas relações interpessoais entre a família e os demais participantes, na perspectiva de estimular a superação de limites e o desenvolvimento da personalidade.
Também trabalhamos a necessidade de se encarar as atividades com compromisso e responsabilidade, além do respeito necessário a simbologia e aos fundamentos de cada tradição cultural que vivenciamos.
Produzimos um espaço de convivência, de aceitação do(a) outro(a), eliminando qualquer forma de preconceito, despertando para a elevação da autoestima e para a busca de realizações positivas em suas vidas.

Dificuldades

Qual é a maior dificuldade enfrentada?
Libânio Neto: Quanto as dificuldades, podemos separar em três. A primeira são as dificuldades internas no diálogo com os participantes, sobretudo pré adolescentes e adolescentes. Esses(as) chegam com todos os "vícios sociais ou comportamentais" vindos de relações interpessoais e familiares deterioradas, daí se produz um choque com a nova realidade: disciplina, não aceitação de preconceitos, obrigações, distribuição de tarefas e regras que são aplicadas. Somado a isso ainda tem o que de ruim a cultura de massa produz na cabeça das pessoas, tornando sempre mais difícil a compreensão da mensagem principal que buscamos transmitir.
A segunda dificuldade, é a falta de apoio estrutural de vários seguimentos, em especial os poderes públicos, que não estabelecem parcerias efetivas que permitam a continuação do trabalho e a ampliação do mesmo para outras comunidades. Recebemos muitos elogios quanto ao trabalho, más ainda são poucas as pessoas que se dispõe a ajudar.
A terceira dificuldade é a falta de compreensão da importância do que fazemos. A região é muito marcada pela cultura de massa, manipuladora e alienante, daí as pessoas não conhecem a importância de suas próprias raízes culturais e, por essa razão também demonstram um certo preconceito.

Preconceito

Este trabalho já sofreu algum tipo de preconceito direto?
Libânio Neto: Já presenciamos várias reações preconceituosas, sobretudo em relação ao Afoxé e ao Maracatu, quando cantamos e tocamos nossos tambores, relacionando com a ancestralidade. Neste sentido, nossa reação foi continuar tocando, cantando e dançando, porque o que fazemos é em nome de todos os nossos antepassados que sofreram com a escravidão, a perseguição, os maus tratos e toda uma imensa carga de preconceito e discriminação e, em honra ao nome e a história que eles construíram, não podemos nos abalar. Quando estamos nas ruas percebemos alguns olhares de reprovação. Já chegaram a me perguntar por que trazer o maracatu pra Floresta e busco explicar o que abordei anteriormente em relação ao significado histórico. Perguntam sobre o Afoxé, do porque trabalhamos o ritmo, entre outras perguntas mais.
Procuramos mostrar que trabalhamos com o resgate e a preservação das origens e tradições do povo negro e do índio, então o Afoxé como o Toré (para os indígenas) são expressões de tradições culturais que tem seu perfil religioso sim. No entanto, não direcionamos nosso trabalho em favor da questão religiosa. Temos entre nossos componentes crianças, adolescentes e jovens de famílias católicas, outros evangélicos e também de religiões de matriz africana. Procuramos mostrar os elementos ancestrais e espirituais presentes na cultura, para que eles e elas (meninos e meninas) tenham consciência que quando tocam o maracatu ou o afoxé estão mantendo uma ligação profunda com seus ancestrais e antepassados e à força (o Axé) e a paz que são produzidos nos toques/baques e nas cantigas/loas são de exaltação às nossas raízes humanas e à nossa cultura. Isso boa parte já entende e o que mais importa é que estamos tocando, cantando e dançando pra resgatar valores humanos e sociais, bem como reatar os laços culturais muitas vezes rompidos.
Hoje em dia, muita gente que olhava atravessado, tem opinião diferente e até mesmo elogia, porque estamos levando uma formação de vida para diversas crianças, adolescentes e jovens. 

Apoios

Quais apoios mais expressivos vocês já receberam?
Libânio Neto: Várias pessoas em Floresta, na região, em cidades mais distantes e até de outros estados do país já demonstraram apoio ao que fazemos. São palavras de incentivo, viabilização de apresentações culturais, contratos para realização de oficinas, parcerias para realização de eventos em conjunto, entre outras diversas ações.
Sobretudo, nesse momento de grande dificuldade financeira, temos recebido apoios e palavras de incentivo, as quais nos reanima e fortalece para seguir a caminhada.
A todas essas pessoas, somos imensamente gratos.

Resultados alcançados

Quais resultados positivos foram alcançados?
Libânio Neto: Em 8 anos de trabalho intensivo e efetivo em Floresta e região, registramos vários resultados positivos. Várias crianças e pré-adolescentes que entraram no projeto, mudaram de atitude diante da vida, desenvolveram sua auto-estima e o orgulho em ser da comunidade em que vive, de ser afrobrasileiro(a).
A comunidade do Escondidinho/Vulcão mudou seu perfil, observamos hoje uma redução de vários índices anteriormente negativos, temos uma participação de uma maioria absoluta das crianças e pré-adolescentes, que nos motiva a seguir em frente.
Nosso trabalho é uma realidade concreta, não é "um projeto que pode dar certo", é um conjunto de ações que deram certo e mostraram que é possível transformar realidades, quando se une dedicação, vontade de fazer, responsabilidade e amor, além da sensibilidade de acreditar e impulsionar a capacidade de superação existente nas pessoas.
Não é só uma ocupação do tempo livre, é formação cidadã, é resgate da autoestima, é valorização humana. É uma oportunidade para construírem um presente e um futuro melhor. Por fim, o que podemos afirmar é que estamos promovendo a construção de perspectivas de vida diferentes, estamos promovendo verdadeiramente uma cultura de paz, através da identidade sócio-cultural, incluindo a música, a dança e a negritude relacionada ao processo de formação cidadã.

Zumbi - Comandante Guerreiro


Aqualtune teve filhos que se tornaram chefes de mocambos, Ganga Zumba e Gana Zona, e teve também filhas, e uma delas deu-lhe um neto nascido quando Palmares esperava um ataque holandês. Os negros cantaram e dançaram muito, pedindo aos deuses que o menino crescesse bravo e forte. E, para sensibilizar o deus da guerra, deram ao menino o nome de Zumbi.

Ainda bebê, Zumbi sobreviveu a um massacre, e um comandante o leva para Porto Calvo, deixando-o sob os cuidados do padre Antônio Melo. O padre acabou se tornando pai e mãe do bebê. Comprou uma escrava de seios fartos para amamentá-lo, batizou-lhe Francisco, porque "era manso e inteligente como o santo que conversava com os animais". Ensinou matemática, histórias da bíblia e latim a Francisco, que chegou a coroinha.

Enquanto Palmares cresce e se fortalece, também assim acontece com Zumbi, em Porto Calvo. Porém, aos quinze anos resolve se emancipar e parte em busca de seu destino, e este estaria mata adentro, muitas léguas dali.

Em algumas versões da história de Zumbi, ao chegar em Palmares, ele escolhe seu próprio nome.

Aos dezenove anos, era chefe de um mocambo (ou aldeia).

Ativo e muito instruído para a época, ganha a confiança de todos e é nomeado o comandante das armas pelo seu tio Ganga Zumba, na ocasião o líder supremo de Palmares.

Nas lutas travadas em 1674, entre os negros, Zumbi surge como grande guerreiro, chefe valente, disposto a tudo. Nesse combate, o jovem chefe leva dois tiros, ficando coxo, mas continua a combater. Seu nome e sua coragem começavam a virar lenda. Porém, alguns mocambos foram sendo derrotados e muitos negros acabavam por se entregar.

Após Ganga Zumba ter aceitado o acordo proposto pelo governadore de Pernambuco Pedro de Almeida que dizia que os negros e índios nascidos em Palmares se tornariam livres e os que fossem fugidos deveriam voltar a seus donos, ele volta feliz à Palmares, mas Zumbi não concorda. Para ele, não se trata somente de viver livre, mas de libertar os ainda escravos.

É a prudência e a sabedoria de Ganga Zumba contra a ousadia e o entusiasmo de Zumbi.

Ganga Zumba é morto por envenenamento e a suspeita caiu sobre o próprio Zumbi, que ocupa o lugar do rei. Até mesmo os portugueses reconheciam : "Negro de singular valor, grande ânimo e constância rara".

Sua valentia era lendária dentro da cruel realidade de guerra, uma guerra onde os negros não conseguem mais armas ou pólvora, a não ser a que tomam do inimigo.

O rei de Portugal ainda mandou oferecer as pazes a Zumbi duas vezes. Editais são espalhados por todas as vilas e vizinhanças. Poderia morar aonde quisesse, era só parar de lutar contra a escravidão: tem que ter escravo; sem escravo não tem açúcar, sem açúcar não tem Brasil, sem Brasil não tem Portugal. Mas Zumbi pensava diferente: não precisa ter escravo; pode ter açúcar sem escravo, pode ter Brasil sem açúcar. E Portugal que se vire.

Não havendo acordo, as lutas se acirraram. Zumbi resiste nas matas mês após mês, ano após ano. Em 1686, outro governador, nova tentativa. São vários grupos com mais de mil homens e com munição suficiente para uma guerra. São comandados pelo bandeirante Domingos Jorge Velho, que tomaria para si as terras de Palmares, caso conseguisse derrotar Zumbi. Foi uma guerra dura e sangrenta.

Palmarinos haviam construído uma muralha enorme para proteger o quilombo, e do lado de fora, Zumbi mandou abrir um fosso, disfarçado com galhos e folhas. Quem tentava se aproximar, caía lá dentro. Os palmarinos e suas mulheres, de cima das cercas, lançavam água fervente sobre os atacantes.

De um lado para o outro, Zumbi gritava aos seus homens, convidando-os a morrer em liberdade. Ele é baleado e mesmo assim continua lutando. Sua abnegada resistência levou a luta a se transformar em um massacre de incríveis proporções. A côrte não escolhe: homens, mulheres e crianças vão ficando pelo chão.

Ao raiar do dia 7 de fevereiro de 1694, só há mortos e feridos. Os homens de Domingos Jorge Velho começam, a procurar Zumbi, mas não encontram seu corpo.

Mais de um ano depois, um negro prestes a ser executado troca sua vida pela informação do paradeiro de Zumbi. E assim foi: o encontraram e renderam com mais de vinte homens e no dia 20 de novembro de 1695, André Furtado de Mendonça corta a cabeça daquele que foi o mais destemido rei e guerreiro, neto da princesa Aqualtune: nascido livre e morto por querer a liberdade de seu povo.

Um herói brasileiro. A notícia se espalhou entre os milhares de escravos que não acreditaram: Zumbi morto? Impossível! Um deus da guerra não pode morrer. E do fundo das noites cantavam para dar força e vigor ao rei de Palmares:

"Zumbi, Zumbi, oia Zumbi..."

Quilombos e Quilombolas


A palavra quilombo, no Dicionário Aurélio (1988), é definida da seguinte maneira: “s.m. bras. Valhacouto de escravos fugidos”. Dito de outra maneira, quilombo designa os redutos constituídos pelos negros fugidos da escravidão no Brasil Colonial e Imperial. O dicionário do Brasil Colonial nos informa que a palavra quilombo é originária banto (língua africana) kilombo e significa acampamento ou fortaleza e foi usada pelos portugueses para denominar as povoações construídas por escravos fugidos, sendo caracterizado pela resistência e a autonomia. O que define o quilombo é o movimento de transição da condição de escravo para a de camponês livre.

Quilombolas é designação comum aos escravos refugiados em quilombos, ou descendentes de escravos negros cujos antepassados no período da escravidão fugiram dos engenhos de cana-de-açúcar, fazendas e pequenas propriedades onde executavam diversos trabalhos braçais para formar os quilombos.

      Nos dias de hoje, quando se fala em quilombos ou quilombolas, percebe-se a curiosidade e/ou dúvida das pessoas quanto ao que se refere.
A partir da promulgação da Constituição Federal de 1988 é que a questão quilombola entrou na agenda das políticas públicas. Fruto da mobilização do movimento negro, o Artigo 68 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT) diz que: “Aos remanescentes das comunidades dos quilombos que estejam ocupando suas terras é reconhecida a propriedade definitiva, devendo o Estado emitir-lhes os respectivos títulos.”
A efetivação desse direito ainda é motivo de grande debate em nossa sociedade, onde se apresenta várias conceituações à respeito.

A Associação Brasileira de Antropologia (ABA), na tentativa de orientar e auxiliar a aplicação do Artigo 68 do ADCT, divulgou, em 1994, um documento elaborado pelo Grupo de Trabalho sobre Comunidades Negras Rurais em que se define o termo “remanescente de quilombo”: “Contemporaneamente, portanto, o termo não se refere a resíduos ou resquícios arqueológicos de ocupação temporal ou de comprovação biológica. Também não se trata de grupos isolados ou de uma população estritamente homogênea. Da mesma forma nem sempre foram constituídos a partir de movimentos insurrecionais ou rebelados, mas, sobretudo, consistem em grupos que desenvolveram práticas de resistência na manutenção e reprodução de seus modos de vida característicos num determinado lugar.”

Deste modo, comunidades remanescentes de quilombo são grupos sociais cuja identidade étnica os distingue do restante da sociedade, fruto de um processo de auto-identificação, conforme estabelecido na legislação federal em novembro de 2003, através do Decreto nº 4.887.

A identidade étnica de um grupo é a base para sua forma de organização, de sua relação com os demais grupos e de sua ação política. A maneira pela qual os grupos sociais definem a própria identidade é resultado de uma confluência de fatores, escolhidos por eles mesmos: de uma ancestralidade comum, formas de organização política e social a elementos lingüísticos e religiosos.


                                   Instituto Cultural Raízes