TV RAÍZES DA CULTURA

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CONHEÇA O PROJETO DE COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA DO INSTITUTO CULTURAL RAÍZES

PONTO DE CULTURA - TAMBORES DA RESISTÊNCIA

PONTO DE CULTURA - TAMBORES DA RESISTÊNCIA
CONHEÇA A HISTÓRIA E AS AÇÕES DO PONTO DE CULTURA EM FLORESTA/PE

sábado, 9 de junho de 2018

Instituto Raízes - um trabalho pioneiro e inovador

Libânio Neto, Fundador e Diretor Presidente do Instituto Raízes

Dando continuidade a entrevista com o nosso Fundador e Diretor Presidente, Libânio Neto, os temas abordados agora serão o caráter pioneiro e inovador do trabalho realizado pelo Instituto, os desafios e as conquistas.

Pioneirismo e Inovação

Porque caracterizar essa atuação do Instituto como algo pioneiro e inovador?
Libânio Neto: Temos dito em várias oportunidades que o trabalho que fazemos é pioneiro pelo fato de que fomos nós a iniciar uma experiência permanente, cotidiana e concreta, coisas que antes não havia em Floresta e região. Somos referência em Cultura Popular e sobretudo em Cultura Afrobrasileira. Não tem outro trabalho semelhante em toda a região do sertão de itaparica.
Dizemos também que é inovador pelo fato de que estamos trazendo a vivência de tradições culturais que estavam abandonadas ou desconhecidas por muita gente. 

Público participante

Quantas crianças e adolescentes participam atualmente dos projetos em Floresta?
Libânio Neto: Temos atendido de forma permanente (nas oficinas que realizamos) uma média de 50 crianças, adolescentes e jovens remanescentes quilombolas e indígenas que residem no bairro do Escondidinho/Vulcão, além de Santa Rosa, Cohab e Caetano. Em novembro de 2016, chegamos a reunir cerca de 80 crianças, adolescentes e jovens na celebração da Consciência Negra.
Por falta de condições financeiras, tivemos que reduzir várias atividades, o que determinou uma redução nos participantes nas atividades culturais.
Também mantemos a Escolinha de Futsal, que reúne na atualidade em torno de 30 crianças e adolescentes da Comunidade do Escondidinho.

Ritmos trabalhados

Quais os ritmos que são trabalhados nas oficinas culturais?
Libânio Neto: Trabalhamos (nas danças e também percussão) os ritmos que são de origem afro-brasileira e indígena, e os ritmos que celebram a mistura entre o negro e o índio, os quais são: capoeira, maculelê, afoxé, maracatu, coco de roda, samba de roda, mazurca, caboclinho, ciranda, xaxado e danças africanas. De todos os que tem maior ênfase são o Maracatu de Baque Virado, o Afoxé e o Coco de Roda.

Grupos Culturais mantidos pelo Instituto

Quais os grupos mantidos pelo Instituto Raízes?
Libânio Neto: Temos dois grupos percussivos com um bom tempo de caminhada. O Maracatu Afrobatuque que foi criado em 2011 e trabalha o ritmo do Maracatu de Baque Virado e o Filhos de N’Zambi, criado em 2012, que trabalha o ritmo do Afoxé. Além destes, criamos em 2016 o Grupo Sou da Terra, que reúne os ritmos do Maracatu, Afoxé, Coco, Samba, entre outros. Temos também o Grupo Dandara (grupo de danças afroindígena), o qual foi o primeiro grupo criado pelo Instituto em Floresta, no ano de 2010 e, estamos trabalhando a criação de um grupo percussivo de Samba Reggae.

Metodologia

Qual a metodologia adotada no trabalho?

Libânio Neto: Adotamos uma metodologia participativa, que estimula a capacidade e o potencial dos(as) integrantes, vinculando o aprendizado à construção da indentidade sócio cultural a partir das raízes históricas afrobrasileira e indígena. Buscamos estabelecer, através do diálogo permanente, uma relação entre o vivenciar cultural e a formação para a cidadania, consistindo sobretudo, em regras de participação, obrigatoriedade de estar frequentando à escola (se está em idade escolar), formas adequadas de comportamento pessoal e social e em especial nas relações interpessoais entre a família e os demais participantes, na perspectiva de estimular a superação de limites e o desenvolvimento da personalidade.
Também trabalhamos a necessidade de se encarar as atividades com compromisso e responsabilidade, além do respeito necessário a simbologia e aos fundamentos de cada tradição cultural que vivenciamos.
Produzimos um espaço de convivência, de aceitação do(a) outro(a), eliminando qualquer forma de preconceito, despertando para a elevação da autoestima e para a busca de realizações positivas em suas vidas.

Dificuldades

Qual é a maior dificuldade enfrentada?
Libânio Neto: Quanto as dificuldades, podemos separar em três. A primeira são as dificuldades internas no diálogo com os participantes, sobretudo pré adolescentes e adolescentes. Esses(as) chegam com todos os "vícios sociais ou comportamentais" vindos de relações interpessoais e familiares deterioradas, daí se produz um choque com a nova realidade: disciplina, não aceitação de preconceitos, obrigações, distribuição de tarefas e regras que são aplicadas. Somado a isso ainda tem o que de ruim a cultura de massa produz na cabeça das pessoas, tornando sempre mais difícil a compreensão da mensagem principal que buscamos transmitir.
A segunda dificuldade, é a falta de apoio estrutural de vários seguimentos, em especial os poderes públicos, que não estabelecem parcerias efetivas que permitam a continuação do trabalho e a ampliação do mesmo para outras comunidades. Recebemos muitos elogios quanto ao trabalho, más ainda são poucas as pessoas que se dispõe a ajudar.
A terceira dificuldade é a falta de compreensão da importância do que fazemos. A região é muito marcada pela cultura de massa, manipuladora e alienante, daí as pessoas não conhecem a importância de suas próprias raízes culturais e, por essa razão também demonstram um certo preconceito.

Preconceito

Este trabalho já sofreu algum tipo de preconceito direto?
Libânio Neto: Já presenciamos várias reações preconceituosas, sobretudo em relação ao Afoxé e ao Maracatu, quando cantamos e tocamos nossos tambores, relacionando com a ancestralidade. Neste sentido, nossa reação foi continuar tocando, cantando e dançando, porque o que fazemos é em nome de todos os nossos antepassados que sofreram com a escravidão, a perseguição, os maus tratos e toda uma imensa carga de preconceito e discriminação e, em honra ao nome e a história que eles construíram, não podemos nos abalar. Quando estamos nas ruas percebemos alguns olhares de reprovação. Já chegaram a me perguntar por que trazer o maracatu pra Floresta e busco explicar o que abordei anteriormente em relação ao significado histórico. Perguntam sobre o Afoxé, do porque trabalhamos o ritmo, entre outras perguntas mais.
Procuramos mostrar que trabalhamos com o resgate e a preservação das origens e tradições do povo negro e do índio, então o Afoxé como o Toré (para os indígenas) são expressões de tradições culturais que tem seu perfil religioso sim. No entanto, não direcionamos nosso trabalho em favor da questão religiosa. Temos entre nossos componentes crianças, adolescentes e jovens de famílias católicas, outros evangélicos e também de religiões de matriz africana. Procuramos mostrar os elementos ancestrais e espirituais presentes na cultura, para que eles e elas (meninos e meninas) tenham consciência que quando tocam o maracatu ou o afoxé estão mantendo uma ligação profunda com seus ancestrais e antepassados e à força (o Axé) e a paz que são produzidos nos toques/baques e nas cantigas/loas são de exaltação às nossas raízes humanas e à nossa cultura. Isso boa parte já entende e o que mais importa é que estamos tocando, cantando e dançando pra resgatar valores humanos e sociais, bem como reatar os laços culturais muitas vezes rompidos.
Hoje em dia, muita gente que olhava atravessado, tem opinião diferente e até mesmo elogia, porque estamos levando uma formação de vida para diversas crianças, adolescentes e jovens. 

Apoios

Quais apoios mais expressivos vocês já receberam?
Libânio Neto: Várias pessoas em Floresta, na região, em cidades mais distantes e até de outros estados do país já demonstraram apoio ao que fazemos. São palavras de incentivo, viabilização de apresentações culturais, contratos para realização de oficinas, parcerias para realização de eventos em conjunto, entre outras diversas ações.
Sobretudo, nesse momento de grande dificuldade financeira, temos recebido apoios e palavras de incentivo, as quais nos reanima e fortalece para seguir a caminhada.
A todas essas pessoas, somos imensamente gratos.

Resultados alcançados

Quais resultados positivos foram alcançados?
Libânio Neto: Em 8 anos de trabalho intensivo e efetivo em Floresta e região, registramos vários resultados positivos. Várias crianças e pré-adolescentes que entraram no projeto, mudaram de atitude diante da vida, desenvolveram sua auto-estima e o orgulho em ser da comunidade em que vive, de ser afrobrasileiro(a).
A comunidade do Escondidinho/Vulcão mudou seu perfil, observamos hoje uma redução de vários índices anteriormente negativos, temos uma participação de uma maioria absoluta das crianças e pré-adolescentes, que nos motiva a seguir em frente.
Nosso trabalho é uma realidade concreta, não é "um projeto que pode dar certo", é um conjunto de ações que deram certo e mostraram que é possível transformar realidades, quando se une dedicação, vontade de fazer, responsabilidade e amor, além da sensibilidade de acreditar e impulsionar a capacidade de superação existente nas pessoas.
Não é só uma ocupação do tempo livre, é formação cidadã, é resgate da autoestima, é valorização humana. É uma oportunidade para construírem um presente e um futuro melhor. Por fim, o que podemos afirmar é que estamos promovendo a construção de perspectivas de vida diferentes, estamos promovendo verdadeiramente uma cultura de paz, através da identidade sócio-cultural, incluindo a música, a dança e a negritude relacionada ao processo de formação cidadã.

Zumbi - Comandante Guerreiro


Aqualtune teve filhos que se tornaram chefes de mocambos, Ganga Zumba e Gana Zona, e teve também filhas, e uma delas deu-lhe um neto nascido quando Palmares esperava um ataque holandês. Os negros cantaram e dançaram muito, pedindo aos deuses que o menino crescesse bravo e forte. E, para sensibilizar o deus da guerra, deram ao menino o nome de Zumbi.

Ainda bebê, Zumbi sobreviveu a um massacre, e um comandante o leva para Porto Calvo, deixando-o sob os cuidados do padre Antônio Melo. O padre acabou se tornando pai e mãe do bebê. Comprou uma escrava de seios fartos para amamentá-lo, batizou-lhe Francisco, porque "era manso e inteligente como o santo que conversava com os animais". Ensinou matemática, histórias da bíblia e latim a Francisco, que chegou a coroinha.

Enquanto Palmares cresce e se fortalece, também assim acontece com Zumbi, em Porto Calvo. Porém, aos quinze anos resolve se emancipar e parte em busca de seu destino, e este estaria mata adentro, muitas léguas dali.

Em algumas versões da história de Zumbi, ao chegar em Palmares, ele escolhe seu próprio nome.

Aos dezenove anos, era chefe de um mocambo (ou aldeia).

Ativo e muito instruído para a época, ganha a confiança de todos e é nomeado o comandante das armas pelo seu tio Ganga Zumba, na ocasião o líder supremo de Palmares.

Nas lutas travadas em 1674, entre os negros, Zumbi surge como grande guerreiro, chefe valente, disposto a tudo. Nesse combate, o jovem chefe leva dois tiros, ficando coxo, mas continua a combater. Seu nome e sua coragem começavam a virar lenda. Porém, alguns mocambos foram sendo derrotados e muitos negros acabavam por se entregar.

Após Ganga Zumba ter aceitado o acordo proposto pelo governadore de Pernambuco Pedro de Almeida que dizia que os negros e índios nascidos em Palmares se tornariam livres e os que fossem fugidos deveriam voltar a seus donos, ele volta feliz à Palmares, mas Zumbi não concorda. Para ele, não se trata somente de viver livre, mas de libertar os ainda escravos.

É a prudência e a sabedoria de Ganga Zumba contra a ousadia e o entusiasmo de Zumbi.

Ganga Zumba é morto por envenenamento e a suspeita caiu sobre o próprio Zumbi, que ocupa o lugar do rei. Até mesmo os portugueses reconheciam : "Negro de singular valor, grande ânimo e constância rara".

Sua valentia era lendária dentro da cruel realidade de guerra, uma guerra onde os negros não conseguem mais armas ou pólvora, a não ser a que tomam do inimigo.

O rei de Portugal ainda mandou oferecer as pazes a Zumbi duas vezes. Editais são espalhados por todas as vilas e vizinhanças. Poderia morar aonde quisesse, era só parar de lutar contra a escravidão: tem que ter escravo; sem escravo não tem açúcar, sem açúcar não tem Brasil, sem Brasil não tem Portugal. Mas Zumbi pensava diferente: não precisa ter escravo; pode ter açúcar sem escravo, pode ter Brasil sem açúcar. E Portugal que se vire.

Não havendo acordo, as lutas se acirraram. Zumbi resiste nas matas mês após mês, ano após ano. Em 1686, outro governador, nova tentativa. São vários grupos com mais de mil homens e com munição suficiente para uma guerra. São comandados pelo bandeirante Domingos Jorge Velho, que tomaria para si as terras de Palmares, caso conseguisse derrotar Zumbi. Foi uma guerra dura e sangrenta.

Palmarinos haviam construído uma muralha enorme para proteger o quilombo, e do lado de fora, Zumbi mandou abrir um fosso, disfarçado com galhos e folhas. Quem tentava se aproximar, caía lá dentro. Os palmarinos e suas mulheres, de cima das cercas, lançavam água fervente sobre os atacantes.

De um lado para o outro, Zumbi gritava aos seus homens, convidando-os a morrer em liberdade. Ele é baleado e mesmo assim continua lutando. Sua abnegada resistência levou a luta a se transformar em um massacre de incríveis proporções. A côrte não escolhe: homens, mulheres e crianças vão ficando pelo chão.

Ao raiar do dia 7 de fevereiro de 1694, só há mortos e feridos. Os homens de Domingos Jorge Velho começam, a procurar Zumbi, mas não encontram seu corpo.

Mais de um ano depois, um negro prestes a ser executado troca sua vida pela informação do paradeiro de Zumbi. E assim foi: o encontraram e renderam com mais de vinte homens e no dia 20 de novembro de 1695, André Furtado de Mendonça corta a cabeça daquele que foi o mais destemido rei e guerreiro, neto da princesa Aqualtune: nascido livre e morto por querer a liberdade de seu povo.

Um herói brasileiro. A notícia se espalhou entre os milhares de escravos que não acreditaram: Zumbi morto? Impossível! Um deus da guerra não pode morrer. E do fundo das noites cantavam para dar força e vigor ao rei de Palmares:

"Zumbi, Zumbi, oia Zumbi..."

Quilombos e Quilombolas


A palavra quilombo, no Dicionário Aurélio (1988), é definida da seguinte maneira: “s.m. bras. Valhacouto de escravos fugidos”. Dito de outra maneira, quilombo designa os redutos constituídos pelos negros fugidos da escravidão no Brasil Colonial e Imperial. O dicionário do Brasil Colonial nos informa que a palavra quilombo é originária banto (língua africana) kilombo e significa acampamento ou fortaleza e foi usada pelos portugueses para denominar as povoações construídas por escravos fugidos, sendo caracterizado pela resistência e a autonomia. O que define o quilombo é o movimento de transição da condição de escravo para a de camponês livre.

Quilombolas é designação comum aos escravos refugiados em quilombos, ou descendentes de escravos negros cujos antepassados no período da escravidão fugiram dos engenhos de cana-de-açúcar, fazendas e pequenas propriedades onde executavam diversos trabalhos braçais para formar os quilombos.

      Nos dias de hoje, quando se fala em quilombos ou quilombolas, percebe-se a curiosidade e/ou dúvida das pessoas quanto ao que se refere.
A partir da promulgação da Constituição Federal de 1988 é que a questão quilombola entrou na agenda das políticas públicas. Fruto da mobilização do movimento negro, o Artigo 68 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT) diz que: “Aos remanescentes das comunidades dos quilombos que estejam ocupando suas terras é reconhecida a propriedade definitiva, devendo o Estado emitir-lhes os respectivos títulos.”
A efetivação desse direito ainda é motivo de grande debate em nossa sociedade, onde se apresenta várias conceituações à respeito.

A Associação Brasileira de Antropologia (ABA), na tentativa de orientar e auxiliar a aplicação do Artigo 68 do ADCT, divulgou, em 1994, um documento elaborado pelo Grupo de Trabalho sobre Comunidades Negras Rurais em que se define o termo “remanescente de quilombo”: “Contemporaneamente, portanto, o termo não se refere a resíduos ou resquícios arqueológicos de ocupação temporal ou de comprovação biológica. Também não se trata de grupos isolados ou de uma população estritamente homogênea. Da mesma forma nem sempre foram constituídos a partir de movimentos insurrecionais ou rebelados, mas, sobretudo, consistem em grupos que desenvolveram práticas de resistência na manutenção e reprodução de seus modos de vida característicos num determinado lugar.”

Deste modo, comunidades remanescentes de quilombo são grupos sociais cuja identidade étnica os distingue do restante da sociedade, fruto de um processo de auto-identificação, conforme estabelecido na legislação federal em novembro de 2003, através do Decreto nº 4.887.

A identidade étnica de um grupo é a base para sua forma de organização, de sua relação com os demais grupos e de sua ação política. A maneira pela qual os grupos sociais definem a própria identidade é resultado de uma confluência de fatores, escolhidos por eles mesmos: de uma ancestralidade comum, formas de organização política e social a elementos lingüísticos e religiosos.


                                   Instituto Cultural Raízes

A História do 21 de Março - Dia Internacional de Luta Contra o Preconceito e a Discriminação Racial


O Dia Internacional de Luta pela Eliminação da Discriminação Racial foi criado pela Organização das Nações Unidas (ONU) e celebra-se em 21 de março em referência ao Massacre de Sharpeville.

Em 21 de março de 1960, em Joanesburgo, na África do Sul, 20.000 pessoas faziam um protesto contra a Lei do Passe, que obrigava a população negra a portar um cartão que continha os locais onde era permitida sua circulação. Porém, mesmo tratando-se de uma manifestação pacífica, a polícia do regime de apartheid abriu fogo sobre a multidão desarmada resultando em 69 mortos e 186 feridos.

Em memória a este massacre a Organização das Nações Unidas – ONU – instituiu 21 de março o dia Internacional de Luta contra a Discriminação Racial.

O Artigo I da Declaração das Nações Unidas sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Racial diz o seguinte:

"Discriminação Racial significa qualquer distinção, exclusão, restrição ou preferência baseada na raça, cor, ascendência, origem étnica ou nacional com a finalidade ou o efeito de impedir ou dificultar o reconhecimento e exercício, em bases de igualdade, aos direitos humanos e liberdades fundamentais nos campos político, econômico, social, cultural ou qualquer outra área da vida pública".

O MASSACRE DE SHARPEVILLE É A MEMÓRIA DO DIA INTERNACIONAL PELA ELIMINAÇÃO DA DISCRIMINAÇÃO RACIAL

O Massacre de Sharpeville foi perpetrado  em 21 de março de 1960, pelas forças racistas do regime durante a era Apartheid na África do Sul .
5 a 7 mil pessoas marchavam contra a obrigatoriedade das crianças falarem o língua “Afrikander”nas escolas e a lei do passe, algo como a nossa carteira de trabalho no Brasil, que nossa polícia e justiça sempre pede aos negros que abordam.
Neste período na África do Sul, as pessoas só podiam circular nos bairros que lhes eram permitidos segunda sua cor. Frequentar somente as escolas que lhe eram abertas. Além de só poderem ir nas igrejas, supermercados e banheiros segundo a cor que constasse nos seus “passaporte individuais de utilização dentro do país”.
Durante os protesto de jovens escolares, 69 crianças foram mortas à bala de fuzil, a maioria com tiros dados pelas costas, no que ficou conhecido como o Massacre de Sharpeville. 180 ficaram gravemente feridas. Era a segregação total.
Crianças assassinadas no massacre de Shaperville - África do Sul
(por marcos romão)

Temos vivido nas cidades brasileiras o aumento da segregação racial, provocada por um desenvolvimento urbano voltado para as elites. As populações pobres e negras têm sido empurradas para as periferias. Os serviços públicos para estas áreas tem se resumido a paliativas incursões e ocupações repressivas por forças policiais.
Os mesmos fuzis de Sharpeville tem sido os principais meios de conter a população jovem que não se comporta neste quadro. 

No Brasil temos escolas públicas e privadas. Se nas escolas privadas de excelência a segregação racial é evidente para qualquer observador, seria através da melhora do sistema de ensino público que os governos municipais, estaduais e federal do Brasil, poderiam dar um exemplo de transformação, para que nossas crianças saiam de um  sistema tácito de segregação racial e social que ocorre no Brasil, que define as possibilidades ou impossibilidades futuras de empregos e convivência multirracial para todas as nossas crianças brasileiras.
Caminhando pelas ruas das cidades do Brasil, no horário de entrada e saída das escolas, é escandaloso se ver, que nas escolas particulares mais privilegiadas só transitam crianças brancas. Já nas saídas das escolas públicas a maioria são crianças negras.
Temos a LEI No 10.639, DE 9 DE JANEIRO DE 2003. que não está sendo aplicada nem pelo ensino público tanto menos pelo ensino privado. A recusa de se aplicar o ensino dos sistemas de visões de mundo indígenas e africanas que formam o povo brasileiro, é uma das grandes barreiras a serem superadas para se melhor combater o racismo no Brasil.

Instituto Raízes lança Projeto de Roda de Diálogos sobre a Consciência Negra


O Instituto Cultural Raízes lançou em novembro de 2017, mais uma ação inovadora, no campo da formação, sensibilização e conscientização social e humana.

Trata-se do Projeto: RODA DE DIÁLOGOS - CONSCIÊNCIA NEGRA, que aborda A LONGA CAMINHADA NEGRA NO BRASIL: Suas Lutas, Resistência e Cultura.

As Rodas de Conversa constituem uma metodologia participativa que pode ser utilizada em diversos contextos, tais como escolas, faculdades, instituições públicas e/ou privadas, organizações culturais e sócio-comunitárias, entre outros. 

Os seus objetivos são:
1º) Difundir a discussão sobre Consciência Negra, trabalhando de forma vinculada (ou adaptada) à demanda e à realidade das pessoas com quem será desenvolvida a Roda;
2º) Criar um contexto de diálogo sobre Consciência Negra, potencializando a participação e a reflexão em relação à presença do negro na sociedade brasileira e sua participação na construção dessa nação;
3º) Promover a reflexão sobre os temas abordados, relacionando-a ao contexto de vida dos participantes e incentivando a sua ressignificação desses temas em prol de uma cultura de promoção e defesa da diversidade e da igualdade racial, bem como da eliminação do racismo.

O Projeto surge a partir da experiência do trabalho desenvolvido pelo Instituto Cultural Raízes, onde se destaca os estudos e pesquisas realizados nos últimos anos pela entidade.

A Roda de Diálogos sobre a Consciência Negra, constitui-se numa oportunidade impar de reflexão, debate, resgate e preservação da identidade e da história do negro no Brasil, sua participação direta na construção de nossa sociedade, suas lutas, resistências e cultura, abordando elementos da história da África, dos africanos, sua chegada ao Brasil, suas origens étnicas e sócio-culturais, a escravidão, à luta por libertação, os Quilombos, seus líderes e heróis e, sua contribuição definitiva para a formação social do Brasil, com suas tradições, linguagem, culinária, arte e cultura.

As instituições educativas e demais interessados(as), devem manter contato com o Instituto Cultural Raízes (para discutir as condições e custos de realização), através do email: raizesdacultura@gmail.com, ou ainda através do Celular/Zap (87) 99927.9125, falar com Libânio Neto.

As Rodas de Diálogos acontecerão de forma permanente, não estando restritas apenas ao mês de novembro - Mês da Consciência Negra.

O papel da universidade na desconstrução do racismo estrutural



“O papel da universidade na desconstrução do racismo estrutural”
 
A abolição da escravatura foi e continua sendo contada de muitas maneiras, e a data de 13 de maio de 1888 mantida como o ponto final da escravidão, talvez, porque a literatura sempre procurou atribuir a abolição à Princesa Isabel e não a uma conquista dos negros. 

A verdade é que as injustiças cometidas contra os negros africanos produziram cicatrizes tão profundas e vergonhosas que, ainda hoje, os descendentes da sociedade dominante escravocrata precisam encontrar meios de se livrar dos fantasmas por eles criados durante os duros anos da escravidão. Entretanto, o que eles pouco ou nada se interessaram e não estão interessados, estes anos todos foi e continua sendo em encontrar meios de compensar os quase quatrocentos anos de trabalhos forçados impostos a seres humanos que foram expropriados de seus bens culturais, religiosos, de suas famílias e de suas terras. 

Neste sentido, a lei da abolição tem o significado de uma dispensa do trabalho sem direito a nada. Na verdade, o povo negro nunca aceitou nem a escravidão, nem a indiferença da sociedade branca em relação às condições nas quais foram deixados.
O movimento negro no Brasil na sua árdua luta pelo resgate da própria história tem feito importantes resgates de nomes dos verdadeiros heróis da abolição e da luta pela conquista da dignidade dos descendentes de escravos. O movimento negro decididamente escolheu o dia “20 de novembro como dia da Consciência Negra”, consagrado à luta pela libertação dos escravos, em homenagem ao seu líder maior, Zumbi dos Palmares, morto em combate pelos seus ideais e pelos ideais dos escravos de origem africana, no ano de 1695 no Quilombo dos Palmares. 

A data já virou feriado municipal em muitas cidades em todos os Estados do Brasil, da mesma forma do sistema de cotas e outras políticas de ações afirmativas tem sofrido, mas resistido aos protestos da elite dominante. 

O dia 20 de novembro é dia de reflexão de conscientização, não apenas do negro, mas de todos, para a construção de uma sociedade mais justa e humana sem discriminação. 

José Paulo Ferreira Gomes
Coordenador executivo do NEAB

domingo, 3 de junho de 2018

Instituto Raízes retoma as atividades da Escolinha de Futsal do Vulcão



O Instituto Cultural Raízes, retoma nessa segunda-feira dia 4 de junho de 2018, as atividades da Escolinha de Futsal do Vulcão.

O Projeto teve início em abril de 2015, tendo sido mais uma das ações inovadoras do Instituto Raízes em Floresta-PE.

Na oportunidade, o Instituto Raízes contou com a parceria do Instituto da Juventude, o qual assumiu a maior parte das despesas de estruturação e manutenção da Escolinha.

O Projeto é pioneiro e inovador, pois trata-se da primeira iniciativa do tipo em um bairro de periferia da cidade de Floresta.

Por falta de recursos financeiros e sem contar com qualquer tipo de parceria, desde 2017, as atividades sofreram algumas paralisações, reduzindo em muito, a capacidade de funcionamento.

Atendendo a pedidos das próprias crianças e adolescentes, a Diretoria do Instituto Raízes, está retornando as atividades, cuja programação acontecerá da segunda-feira ao sábado.

Na nova fase da Escolinha de Futsal do Vulcão, serão atendidos(as) apenas crianças e adolescentes residentes ou com familiares na Comunidade do Escondidinho/Vulcão.