IMPORTÂNCIA DA HISTÓRIA

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sábado, 9 de junho de 2018

Instituto Raízes - um trabalho pioneiro e inovador

Libânio Neto, Fundador e Diretor Presidente do Instituto Raízes

Dando continuidade a entrevista com o nosso Fundador e Diretor Presidente, Libânio Neto, os temas abordados agora serão o caráter pioneiro e inovador do trabalho realizado pelo Instituto, os desafios e as conquistas.

Pioneirismo e Inovação

Porque caracterizar essa atuação do Instituto como algo pioneiro e inovador?
Libânio Neto: Temos dito em várias oportunidades que o trabalho que fazemos é pioneiro pelo fato de que fomos nós a iniciar uma experiência permanente, cotidiana e concreta, coisas que antes não havia em Floresta e região. Somos referência em Cultura Popular e sobretudo em Cultura Afrobrasileira. Não tem outro trabalho semelhante em toda a região do sertão de itaparica.
Dizemos também que é inovador pelo fato de que estamos trazendo a vivência de tradições culturais que estavam abandonadas ou desconhecidas por muita gente. 

Público participante

Quantas crianças e adolescentes participam atualmente dos projetos em Floresta?
Libânio Neto: Temos atendido de forma permanente (nas oficinas que realizamos) uma média de 50 crianças, adolescentes e jovens remanescentes quilombolas e indígenas que residem no bairro do Escondidinho/Vulcão, além de Santa Rosa, Cohab e Caetano. Em novembro de 2016, chegamos a reunir cerca de 80 crianças, adolescentes e jovens na celebração da Consciência Negra.
Por falta de condições financeiras, tivemos que reduzir várias atividades, o que determinou uma redução nos participantes nas atividades culturais.
Também mantemos a Escolinha de Futsal, que reúne na atualidade em torno de 30 crianças e adolescentes da Comunidade do Escondidinho.

Ritmos trabalhados

Quais os ritmos que são trabalhados nas oficinas culturais?
Libânio Neto: Trabalhamos (nas danças e também percussão) os ritmos que são de origem afro-brasileira e indígena, e os ritmos que celebram a mistura entre o negro e o índio, os quais são: capoeira, maculelê, afoxé, maracatu, coco de roda, samba de roda, mazurca, caboclinho, ciranda, xaxado e danças africanas. De todos os que tem maior ênfase são o Maracatu de Baque Virado, o Afoxé e o Coco de Roda.

Grupos Culturais mantidos pelo Instituto

Quais os grupos mantidos pelo Instituto Raízes?
Libânio Neto: Temos dois grupos percussivos com um bom tempo de caminhada. O Maracatu Afrobatuque que foi criado em 2011 e trabalha o ritmo do Maracatu de Baque Virado e o Filhos de N’Zambi, criado em 2012, que trabalha o ritmo do Afoxé. Além destes, criamos em 2016 o Grupo Sou da Terra, que reúne os ritmos do Maracatu, Afoxé, Coco, Samba, entre outros. Temos também o Grupo Dandara (grupo de danças afroindígena), o qual foi o primeiro grupo criado pelo Instituto em Floresta, no ano de 2010 e, estamos trabalhando a criação de um grupo percussivo de Samba Reggae.

Metodologia

Qual a metodologia adotada no trabalho?

Libânio Neto: Adotamos uma metodologia participativa, que estimula a capacidade e o potencial dos(as) integrantes, vinculando o aprendizado à construção da indentidade sócio cultural a partir das raízes históricas afrobrasileira e indígena. Buscamos estabelecer, através do diálogo permanente, uma relação entre o vivenciar cultural e a formação para a cidadania, consistindo sobretudo, em regras de participação, obrigatoriedade de estar frequentando à escola (se está em idade escolar), formas adequadas de comportamento pessoal e social e em especial nas relações interpessoais entre a família e os demais participantes, na perspectiva de estimular a superação de limites e o desenvolvimento da personalidade.
Também trabalhamos a necessidade de se encarar as atividades com compromisso e responsabilidade, além do respeito necessário a simbologia e aos fundamentos de cada tradição cultural que vivenciamos.
Produzimos um espaço de convivência, de aceitação do(a) outro(a), eliminando qualquer forma de preconceito, despertando para a elevação da autoestima e para a busca de realizações positivas em suas vidas.

Dificuldades

Qual é a maior dificuldade enfrentada?
Libânio Neto: Quanto as dificuldades, podemos separar em três. A primeira são as dificuldades internas no diálogo com os participantes, sobretudo pré adolescentes e adolescentes. Esses(as) chegam com todos os "vícios sociais ou comportamentais" vindos de relações interpessoais e familiares deterioradas, daí se produz um choque com a nova realidade: disciplina, não aceitação de preconceitos, obrigações, distribuição de tarefas e regras que são aplicadas. Somado a isso ainda tem o que de ruim a cultura de massa produz na cabeça das pessoas, tornando sempre mais difícil a compreensão da mensagem principal que buscamos transmitir.
A segunda dificuldade, é a falta de apoio estrutural de vários seguimentos, em especial os poderes públicos, que não estabelecem parcerias efetivas que permitam a continuação do trabalho e a ampliação do mesmo para outras comunidades. Recebemos muitos elogios quanto ao trabalho, más ainda são poucas as pessoas que se dispõe a ajudar.
A terceira dificuldade é a falta de compreensão da importância do que fazemos. A região é muito marcada pela cultura de massa, manipuladora e alienante, daí as pessoas não conhecem a importância de suas próprias raízes culturais e, por essa razão também demonstram um certo preconceito.

Preconceito

Este trabalho já sofreu algum tipo de preconceito direto?
Libânio Neto: Já presenciamos várias reações preconceituosas, sobretudo em relação ao Afoxé e ao Maracatu, quando cantamos e tocamos nossos tambores, relacionando com a ancestralidade. Neste sentido, nossa reação foi continuar tocando, cantando e dançando, porque o que fazemos é em nome de todos os nossos antepassados que sofreram com a escravidão, a perseguição, os maus tratos e toda uma imensa carga de preconceito e discriminação e, em honra ao nome e a história que eles construíram, não podemos nos abalar. Quando estamos nas ruas percebemos alguns olhares de reprovação. Já chegaram a me perguntar por que trazer o maracatu pra Floresta e busco explicar o que abordei anteriormente em relação ao significado histórico. Perguntam sobre o Afoxé, do porque trabalhamos o ritmo, entre outras perguntas mais.
Procuramos mostrar que trabalhamos com o resgate e a preservação das origens e tradições do povo negro e do índio, então o Afoxé como o Toré (para os indígenas) são expressões de tradições culturais que tem seu perfil religioso sim. No entanto, não direcionamos nosso trabalho em favor da questão religiosa. Temos entre nossos componentes crianças, adolescentes e jovens de famílias católicas, outros evangélicos e também de religiões de matriz africana. Procuramos mostrar os elementos ancestrais e espirituais presentes na cultura, para que eles e elas (meninos e meninas) tenham consciência que quando tocam o maracatu ou o afoxé estão mantendo uma ligação profunda com seus ancestrais e antepassados e à força (o Axé) e a paz que são produzidos nos toques/baques e nas cantigas/loas são de exaltação às nossas raízes humanas e à nossa cultura. Isso boa parte já entende e o que mais importa é que estamos tocando, cantando e dançando pra resgatar valores humanos e sociais, bem como reatar os laços culturais muitas vezes rompidos.
Hoje em dia, muita gente que olhava atravessado, tem opinião diferente e até mesmo elogia, porque estamos levando uma formação de vida para diversas crianças, adolescentes e jovens. 

Apoios

Quais apoios mais expressivos vocês já receberam?
Libânio Neto: Várias pessoas em Floresta, na região, em cidades mais distantes e até de outros estados do país já demonstraram apoio ao que fazemos. São palavras de incentivo, viabilização de apresentações culturais, contratos para realização de oficinas, parcerias para realização de eventos em conjunto, entre outras diversas ações.
Sobretudo, nesse momento de grande dificuldade financeira, temos recebido apoios e palavras de incentivo, as quais nos reanima e fortalece para seguir a caminhada.
A todas essas pessoas, somos imensamente gratos.

Resultados alcançados

Quais resultados positivos foram alcançados?
Libânio Neto: Em 8 anos de trabalho intensivo e efetivo em Floresta e região, registramos vários resultados positivos. Várias crianças e pré-adolescentes que entraram no projeto, mudaram de atitude diante da vida, desenvolveram sua auto-estima e o orgulho em ser da comunidade em que vive, de ser afrobrasileiro(a).
A comunidade do Escondidinho/Vulcão mudou seu perfil, observamos hoje uma redução de vários índices anteriormente negativos, temos uma participação de uma maioria absoluta das crianças e pré-adolescentes, que nos motiva a seguir em frente.
Nosso trabalho é uma realidade concreta, não é "um projeto que pode dar certo", é um conjunto de ações que deram certo e mostraram que é possível transformar realidades, quando se une dedicação, vontade de fazer, responsabilidade e amor, além da sensibilidade de acreditar e impulsionar a capacidade de superação existente nas pessoas.
Não é só uma ocupação do tempo livre, é formação cidadã, é resgate da autoestima, é valorização humana. É uma oportunidade para construírem um presente e um futuro melhor. Por fim, o que podemos afirmar é que estamos promovendo a construção de perspectivas de vida diferentes, estamos promovendo verdadeiramente uma cultura de paz, através da identidade sócio-cultural, incluindo a música, a dança e a negritude relacionada ao processo de formação cidadã.

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